quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Novo Polo GTS 2020 deve chegar custando a partir de R$ 103.440

Novo Polo GTS 2020 deve chegar custando a partir de R$ 103.440

O Volkswagen Polo GTS será o primeiro hot hatch compacto da marca alemã em muitos anos no Brasil. O modelo chegará ainda no mês de janeiro e terá um preço bem mais alto que as demais versões. Circulando nas redes sociais, o preço de R$ 103.440 está sendo atribuído ao novo produto da VW.

Equipado com motor EA211 1.4 TSI Flex de 150 cavalos e 25,5 kgfm, o Novo Polo GTS trará uma dinâmica de condução mais acertada para a proposta, mas não terá transmissão manual de seis marchas, como muitos desejavam. O câmbio é automático Tiptronic de seis marchas, com modo Sport e mudanças manuais no volante.

Com esse conjunto motriz, o Volkswagen Polo GTS 2020 vai de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos e com máxima de 207 km/h. Irmão do Volkswagen Virtus GTS 2020, que chegará um pouco depois, o hatch esportivo visualmente vem com faróis duplos de LED com assinatura igualmente em LED.

 

Novo Polo GTS 2020 deve chegar custando a partir de R$ 103.440

Além disso, o conjunto ótico traz ainda filete vermelho, integrado à grade personalizada, que ainda vem com o logotipo GTS. O para-choque tem spoiler integrado e molduras em preto brilhante, bem como luzes diurnas em LED e faróis de neblina.

O Polo GTS tem ainda rodas esportivas aro 17 polegadas, filetes laterais, retrovisores pretos, para-choque traseiro com spoiler e escape duplo cromado, bem como defletor de ar no teto em cor preto brilhante, sendo esse mais proeminente.

Tendo calibração mais firme em molas e amortecedores, o Polo GTS virá com freios mais robustos, bem como interior personalizado, chamando atenção para os bancos esportivos e com logotipo GTS, além de difusores de ar e outras partes do painel e acabamento com detalhes em vermelho.

Os displays de Discover Media e Active Info Display estarão presentes, assim como ar condicionado automático. Detalhes cromados, como nos pedais, chamam atenção. O Polo GTS terá ainda Android Auto e Car Play, entre outros.

 

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Cenário Internacional Pessimista

No ano de 2019 até o último dia 27, o fluxo cambial tem saída líquida de US$ 43,253 bilhões do Brasil. Deste total, US$ 61,154 bilhões vieram da conta financeira, enquanto a conta comercial tem contribuição positiva de US$ 17,901 bilhões.

A corrente de comércio, indicador considerado mais importante se comparado ao saldo comercial, caiu 5,7% entre 2018 e 2019, pela média diária. O indicador soma as exportações e as importações. Passou de US$ 420,5 bilhões no ano retrasado para US$ 401,4 bilhões no ano passado.

A queda dos preços foi “muito maior” se comparada à queda dos volumes de exportação ou importação. Houve uma queda das exportações de 4,7% entre janeiro e setembro do ano passado, na comparação com o mesmo período de 2018. No entanto, quando são retirados da conta fatores negativos ligados ao comércio com a Argentina e a China, as exportações crescem 1,8% no mesmo tipo de comparação.

A corrente de comércio sobre o PIB, hoje, gira em torno de 24%, bem abaixo do esperado.

Hoje, é observado um aumento da incerteza na economia mundial com fatores como o Brexit e a guerra comercial. O crescimento do comércio mundial em 2019 é o menor desde 2009.

Certos “choques de curto prazo” afetaram a economia brasileira. Entre eles, a crise argentina, com impacto de US$ 5,2 bilhões sobre as exportações de manufaturados, e a crise da febre suína na China, com impacto negativo de US$ 6,7 bilhões sobre as exportações de soja.

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Desemprego Tecnológico em Bancos

Nicholas Comfort (Bloomberg — Frankfurt 28/12/2019) informa: bancos em todo o mundo fazem demissões no maior ritmo em quatro anos para reduzir custos em resposta a uma economia em desaceleração e adaptação à tecnologia digital.

Este ano, mais de 50 instituições financeiras anunciaram planos para cortar 77.780 empregos, o maior número desde as 91.448 demissões em 2015, segundo registros de empresas e sindicatos.

Os cortes em 2019 elevam o total de demissões nos últimos seis anos para mais de 425.000. O número provavelmente é maior porque muitos bancos eliminam empregos sem divulgar os dados.

O Morgan Stanley é a mais recente empresa a buscar eficiência no fim do ano, com o corte de cerca de 1.500 empregos, segundo pessoas a par do assunto. O presidente do banco, James Gorman, havia dito que as demissões representam cerca de 2% da força de trabalho.

Os números deste ano também destacam o fraco desempenho dos bancos europeus, reflexo da economia orientada para a exportação da região que enfrenta disputas comerciais. Além disso, as taxas de juros negativas reduzem ainda mais a receita de empréstimos.

Diferentemente dos EUA, onde os programas do governo e os juros em alta ajudaram os bancos a se recuperarem rapidamente após a crise financeira, as instituições na Europa ainda tentam uma retomada. Muitos fazem demissões e vendem ativos para aumentar a rentabilidade.

O maior banco da Alemanha encabeça a lista de cortes de empregos planejados. O Deutsche Bank planeja demitir 18.000 pessoas até 2022, ao mesmo tempo em que deixa grande parte dos negócios de banco de investimento.

Os bancos devem seguir anunciando planos de demissões em 2020. A gestora de patrimônio suíça Julius Baer avalia cortes para reduzir custos devido ao aumento da concorrência e margens mais apertadas, disseram pessoas com conhecimento do assunto no início deste mês. O espanhol Banco Bilbao Biscaia Argentaria planeja fazer demissões na divisão de soluções para clientes e pode estender os cortes para outras unidades de maior peso, segundo reportagem do jornal Expansión.

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Embalos de 2019: Ano de Protesto Popular

Os protestos na América Latina foram embalados por muita música. O Congresso Internacional do Trabalho reuniu em seu canal no Youtube as principais manifestações, na playlist Músicas da Resistência, dedicada aos povos rebeldes. Eles saíram às ruas no ano de 2019, para mais uma vez resistir ao ataque dos desumanos, brutos, egoístas.

Ouça e veja a emocionante apresentação de um grupo enorme de violeiros tocando El derecho de vivir em paz, de Victor Parra, na praça Itália, em Santiago do Chile e o Toquerolazo de queda 24, uma noite de domingo com música na La Plazoleta de la 85, em Bogotá, na Colômbia. E mais: os históricos, como o argentino Atahualpa Yupanqui e Los Jairas, da Bolívia e exemplos da nova geração, como Pascuala Ilabaca y Fauna, cantora e compositora chilena, nascida em Gerona, na Catalunha.

2019 foi um ano marcado por descontentamento popular. Protestos eclodiram em Hong Kong, Índia, Chile, Bolívia, Equador, Colômbia, Espanha, França, República Tcheca, Rússia, Malta, Argélia, Iraque, Irã, Líbano e Sudão

Gideon Rachman (Financial Times, 30/12/2019) o avalia em artigo compartilhado abaixo.

Certos anos na história – 1848, 1917, 1968, 1989 – nos trazem à mente imagens de protestos de rua, manifestações de massa e turbulências revolucionárias. Quando os historiadores colocarem 2019 em perspectiva, também poderão considerá-lo um ano clássico de descontentamento popular.

Em termos de simples distribuição geográfica, é difícil pensar em um ano capaz de rivalizar com este. Protestos grandes o suficiente para tumultuar o dia a dia das pessoas e causar pânico no governo eclodiram em Hong Kong, Índia, Chile, Bolívia, Equador, Colômbia, Espanha, França, República Tcheca, Rússia, Malta, Argélia, Iraque, Irã, Líbano e Sudão – e essa lista não é exaustiva.

No entanto, até agora as tentativas de dar uma explicação global convincente para toda essa turbulência se frustraram. Uma razão para a falta de análise é as rebeliões de 2019 ocorrerem em lugares muito diferentes – em grandes e ricas metrópoles mundiais como Hong Kong e Barcelona, mas também em países pobres e isolados, como Sudão e Venezuela. Isso torna mais difícil ligar os pontos e mais fácil duvidar da ideia de que se trate de um movimento mundial. Também não houve um momento emblemático único – nenhuma queda do Muro de Berlim ou assalto ao Palácio de Inverno que se tornasse símbolo do drama.

Mas, embora as revoltas de 2019 ainda não tenham derrubado um grande dirigente mundial ou um governo, elas certamente custaram algumas cabeças. Protestos de rua e greves forçaram o presidente da Bolívia, Evo Morales, a deixar o cargo em novembro, depois de 13 anos no poder.

Entre os dirigentes políticos derrubados por manifestações de massa também estão Abdelaziz Bouteflika, da Argélia, e Omar al-Bashir, do Sudão – ambos caíram em abril, depois de décadas no poder (no caso de al-Bashir, militares deram golpe de Estado na sequência de meses de protestos).

O premiê do Líbano, Saad al-Hariri, foi obrigado a deixar o cargo no fim de outubro, após duas semanas de protestos. No mês seguinte, o premiê do Iraque, Adel Abdul Mahdi, também renunciou, depois de vários meses de turbulência. Tanto no Irã quanto no Iraque, as manifestações de massa se depararam com níveis chocantes de violência – com centenas de mortos nas ruas dos dois países.

O fato de vários países do norte da África e do Oriente Médio terem sido sacudidos por manifestações, muitas vezes ao mesmo tempo, mostra, de fato, existirem conexões entre os levantes populares nos diferentes países. Em duas regiões – Oriente Médio e América Latina -, os protestos são extensos o suficiente para constituir uma verdadeira revolta regional, na qual os eventos em um país claramente inspiram e influenciam seus vizinhos, de uma maneira que lembra a Primavera Árabe.

O slogan famoso naquela época – “o povo quer a queda do regime” – voltou a ser cantado. O idioma comum na América Latina também permitiu que notícias e imagens de distúrbios ultrapassassem fronteiras facilmente. No mundo conectado de hoje, ideias e slogans podem até pular para outros continentes sem nenhum esforço – difundidos pelos smartphones. Alguns manifestantes catalães foram vistos carregando a bandeira de Hong Kong e adotaram táticas semelhantes – como a ocupação de um aeroporto.

O estopim das manifestações de massa variou de país para país. Em alguns lugares, foi um gatilho econômico – como o aumento nas tarifas do metrô no Chile ou uma proposta de imposto sobre o WhatsApp no Líbano. Em outros lugares, o motivo é mais nitidamente político — como as novas leis sobre cidadania e refugiados na Índia ou a proposta de lei de extradição em Hong Kong.

Também há alguns temas e táticas comuns. Eles surgem em um lugar depois do outro:

  1. protestos contra as duras condições de vida,
  2. repulsa à corrupção e às oligarquias,
  3. acusações de a elite política e econômica do país estar indiferente e afastada da realidade.

As redes sociais são uma ferramenta poderosa de organização em todos os lugares, pois permitem que os manifestantes elaborem coletivamente reivindicações, slogans e táticas. Em uma tentativa de impedir que os protestos viralizem por meio das mídias sociais, a Índia interrompeu as comunicações por celular em algumas das cidades afetadas por distúrbios de massa.

Embora seja claramente mais fácil organizar grandes manifestações por redes sociais, esse novo tipo de revolta “sem líderes” também pode ser prejudicado pela própria espontaneidade. Hashtags e memes da internet são bons para levar as pessoas às ruas rapidamente – mas podem mascarar falta de organização e de estratégia.

Talvez seja por isso até agora relativamente poucas manifestações conseguiram derrubar dirigentes. Algumas tiveram sucesso, como na Argélia, continuaram mesmo depois de uma mudança nominal no governo.

Mas os protestos de massa de 2019 dão poucos sinais de esgotamento. Na verdade, enquanto o ano termina, eles podem estar juntando forças – com enormes manifestações de desafio ao governo indiano. A resposta do governo Modi foi desastrada e violenta, com a prisão de intelectuais importantes diante de câmeras de TV e o uso pela polícia de táticas brutais contra estudantes.

Tudo isso pode alimentar facilmente uma espiral de descontentamento na Índia no ano que vem. Os protestos de Hong Kong devem continuar, enquanto os confrontos na Espanha e no Chile também podem se intensificar. Acima de tudo, como os últimos 12 meses mostraram agora, o descontentamento social irrompe repetidamente em lugares inesperados e por razões imprevistas.

Por isso, embora 2019 já se credencie para conquistar um lugar na história dos protestos de rua, é possível o ano realmente capaz de abalar o mundo termine por ser 2020.

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Bolha de Ações com Maus Fundamentos Econômicos

 Fusões e Aquisições:


Os números e os gráficos falam por si. Mas acrescento algumas informações abaixo para análise do quadro paradoxal de um país em derrocada social, econômica e política, embora com uma bolha de ações para iludir incautos com a “sorte de iniciante”. Os novos especuladores ganham na entrada com base em análise grafista, seguindo tendência de alta, e perderão na súbita fuga de capitais com base em análise fundamentalista.

Enquanto os fundamentos da economia brasileira continuam muito maus, a bolsa brasileira vem batendo sucessivos recordes. No ano, segundo cálculos do Valor Data, a alta acumulada, em dólares, atingiu 27,27%. O Ibovespa bateu recordes por causa basicamente da entrada do investidor local em fuga da renda fixa para a renda variável.

O grande incentivo dessa valorização foi a queda da taxa básica de juros (Selic) ao menor nível da história, de 4,5% ao ano. Juros menores, aprovação da reforma da Previdência e ilusória retomada da economia, ainda de forma muito lenta, explicam o ganho no ano.

Nos Estados Unidos, as duas principais bolsas subiram ainda mais que a B3 neste ano (ver gráfico). Um grande impulso veio com o anúncio do acordo comercial entre China e EUA. O Nasdaq teve alta pela 11a sessão consecutiva, superando os 9 mil pontos pela primeira vez na história, e o S&P 500 agora está a menos de 10 pontos de registrar o melhor desempenho desde 1997.

O clima mais favorável a ativos de risco se refletiu também na queda do dólar. Depois de cair a R$ 4,0463, menor cotação intradiária desde 7 de novembro, a moeda americana fechou o fim da última semana do ano valendo R$ 4,0615, recuo de 0,45%.

Weruska Goeking (Valor, 14/11/2019) conta parte da história do indicador da bolsa de valores brasileira: uma das maiores referências para os investidores de renda variável, o Ibovespa nasceu em janeiro de 1968 e, ao longo das últimas décadas, já passou por muitas fases. As transformações foram graduais, mas hoje o índice é um pouco menos concentrado e suscetível às influências de estatais.

Nas primeiras carteiras teóricas, o Ibovespa era repleto de empresas de commodities e de indústrias de base, como siderúrgicas e metalúrgicas. Em 1968, as cinco maiores participações do índice concentravam 37,2% do total. Na década de 1970, o índice era claramente dominado por estatais. Na década de 1980, as estatais ainda tinham protagonismo, mas começavam a dar espaço para privadas, como a Paranapanema.

Em 1985, a grande campeã de participação no índice era justamente a Paranapanema, produtora de cobre, com 23% das ações da carteira teórica.

Em uma fase mais “ousada”, nos anos 1990, as empresas de telecomunicações dominavam, e a Telebras chegou a representar metade do índice, que foi criado pelo economista Mário Henrique Simonsen. Anos depois, no entanto, em vez de diluir os pesos das empresas no índice, a concentração aumentou. Na carteira de 1995, a Telebras ainda abocanhava 33,9% do Ibovespa e as cinco maiores participações detinham 65,7% do total.

O Ibovespa era ponderado pela liquidez. Quanto mais negociada a ação, maior peso ela adquiria. Essa distorção permaneceu até o fim de 2013.

Atualmente, as cinco principais ações do Ibovespa representam 36,5% do índice, patamar semelhante à carteira válida de setembro a dezembro de 1968, porém diferente e mais diversificado em sua composição total. O setor de serviços era basicamente banco e financeiras 15 anos atrás. Hoje temos educação, saúde e shoppings. Só Vale e Ambev (ações da Antarctica, então) resistem até hoje desde a primeira formação do índice.

Entre os dez maiores pesos no Ibovespa, a concentração passou de 66% em 1968 para 55,3% neste ano. A redução da concentração do índice foi muito importante, porque saímos do domínio total de Petrobras, Eletrobras e Telebras. A expansão de empresas novas e setores novos foi o grande ganho dos últimos 15 a 20 anos. E muito se deve às emissões do Novo Mercado.

Não só as empresas eram diferentes nos primórdios do Ibovespa, mas a metodologia que calculava quem entrava ou saía do índice também passou por mudanças. Desde 2014, a forma de “filtrar” as empresas mudou com o intuito de corrigir distorções, como a que permitiu que OGX tivesse parcela de 5% no Ibovespa no primeiro quadrimestre de 2013.

Para fazer parte do índice hoje, as ações e units precisam estar presentes em 85% dos pregões e ter volume financeiro acima de 0,01% no último ano. O índice é reavaliado a cada quatro meses e as ações e units que fazem parte dele precisam corresponder a cerca de 80% dos negócios e do volume financeiro de toda a bolsa brasileira.

O índice é quadrimestral porque nos primórdios tudo era calculado à mão. Os feriados entre dois de três quadrimestres no ano (1o de maio e 1o de janeiro) facilitavam o trabalho ao dar um dia a mais para a equipe da bolsa fazer os cálculos necessários. Só ficava apertado mesmo no terceiro trimestre, terminado em 30 de setembro.

Hoje, os computadores tornaram o trabalho bem mais rápido e preciso, mas a tradição falou mais alto e as carteiras seguem sendo quadrimestrais. O que mudou é que nenhuma empresa pode representar mais de 20% do índice, o que ajuda a evitar a concentração de ativos, nem valer menos de R$ 1 por mais de 30 pregões seguidos.

Esse limite de concentração foi criado para evitar casos como o da Telebras nos anos 1990, mas o Ibovespa só vai diversificar mesmo quando tiver mais empresas grandes e com liquidez na bolsa. Precisa-se de mais empresas e de maior porte virem ao mercado para dar um mínimo de credibilidade.

Na carteira em vigor atualmente, o setor de serviços financeiros, que engloba a própria B3, bancos e seguradoras, ganhou espaço e representa 36,3% do total, superando as commodities, que ocupam 28,5% da carteira. O peso das estatais segue elevado, com 11,8% do índice concentrado em Petrobras.

Embora muitos eventos políticos e econômicos tenham impacto nos preços das ações e, por consequência, no Ibovespa, o principal índice acionário do país não pode ser usado como um termômetro da economia real, ou seja, não representa de verdade o que acontece no mercado corporativo e na vida das pessoas.

O problema é o universo de empresas de capital aberto ser ridiculamente baixo e nem todos setores da economia estão ali ou estão sub-representados, com poucas companhias. Por exemplo, há o caso da indústria de alimentos. Com 35,7 mil empresas no país, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), apenas quatro estão no Ibovespa: Ambev, BRF, Marfrig e JBS. Outros nomes de peso da alimentação estão fora da carteira do Ibovespa, como Minerva, Camil, Burger King, IMC e M. Dias Branco.

Como base de comparação, o S&P 500, índice acionário americano, tem as 500 principais empresas (por liquidez e tamanho de mercado), enquanto o Ibovespa tem apenas 68 companhias atualmente.

O Ibovespa já teve mais ações, mas com concentração maior em empresas. Melhorou porque ficou com menos estatais. Isso é relevante, porque qualquer mudança de rumo no governo afetava muito o índice. O ideal é que o número de empresas listadas na bolsa, hoje em 328, aumentasse, para que o leque de opções elegíveis ao Ibovespa também fosse maior. Precisaria ter umas 450 empresas, porque essas novas empresas vão diversificando o índice aos poucos, sem artificialismo.

Abrir capital no Brasil não é um processo barato. Pesquisa da PwC aponta que os custos para um IPO na bolsa local variam de 2,5% a 5,6% dos recursos captados. Além disso, muitos empresários ainda resistem em dividir o controle e prestar satisfações a minoritários e analistas. É uma questão cultural do empresário brasileiro ter esse receio, mas é função do analista fazer perguntas e muitas vezes contestar a administração. E os empresários também têm de saber usar o mercado para financiar a expansão da empresa através de ações.

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Miséria Nacional e Desesperança pelo Desgoverno

Gabriel Vasconcelos (Valor, 11/11/2019) informa: com o avanço da automação nas próximas duas décadas, o Brasil tende a perder número consideravelmente de empregos com carteira assinada criados em anos anteriores. Cerca de 9,2 milhões dos 16 milhões postos de trabalho que foram criados entre 2003 e 2016 têm 70% de chance ou mais de sucumbirem à chegada de máquinas controladas por computadores. O índice é considerado alto para os padrões internacionais. As estimativas estão em levantamento do Laboratório do Futuro, do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

A maior parte dos empregos gerados no período (6 milhões) tem mais de 90% de chance de serem eliminados nos próximos dez anos. O fenômeno, explica, está ligado à natureza dos postos gerados no período anterior, caracterizados por baixa qualificação e pouca especialização, portanto mais propensos a serem substituídos por máquinas.

Os pesquisadores da Coppe adaptaram os resultados de pesquisas internacionais sobre automação para a realidade brasileira e os cruzaram com informações da Relação Anual de Informações Sociais do governo federal (Rais). O objetivo de médio prazo é determinar o impacto da automação na matriz de empregos de cada um dos 5.570 municípios do país, indicando alternativas personalizadas para cada cidade enfrentar o cenário que se aproxima. No Rio de Janeiro, município-piloto da plataforma, os pesquisadores puderam precisar, por exemplo, que, no setor de varejo, 148 mil pessoas podem perder seus empregos em razão da automação.

Na avaliação por atividade, os mais afetados entre os trabalhadores formalizados serão vendedores do varejo, assistentes administrativos e outros empregados do setor de serviços, como é o caso dos auxiliares do setor de alimentação. Outras categorias prováveis de desaparecer em uma década são estoquistas e operadores de caixa.

Entre as dez profissões com o maior número de empregados no Brasil até o início de 2017 — reuniam 26% da população de carteira assinada –, só os professores não estão ameaçados de substituição por máquinas nos próximos dez anos. Isso dá a dimensão do “exército de substituídos” a se somar ao contingente de desempregados, hoje na casa dos 12 milhões de pessoas. Para oferecer dimensão mais exata do problema, a Coppe atualiza os dados para dezembro de 2018. Entretanto, anão houve criação significativa de postos resilientes à automação a ponto de modificar a estrutura da matriz de empregos analisada no estudo.

Além de recomendar políticas de elevação da taxa de escolaridade, requalificação da mão de obra e geração de empregos ligados à revolução digital, o relatório fala expressamente em soluções como “renda básica universal” e “ativos básicos universais” capazes de oferecer uma rede de proteção social que permita aos beneficiários transitar para novos empregos.

Em países como Suíça e Reino Unido, onde a consultoria Deloitte realizou levantamentos análogos ao da Coppe, a matriz de emprego é mais resiliente, porque houve ondas de automação com impactos já absorvidos e, simultaneamente, a geração de funções com maior especialização técnica. Ainda assim, 48% dos empregos podem sumir na Suíça com a proliferação das máquinas. No Reino Unido, o índice cai a 35%.

Para chegar aos números do Brasil, os pesquisadores usaram um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, oficialmente publicado em 2017, que determina a probabilidade de automação de cada uma das profissões existentes nos Estados Unidos a fim de quantificar o impacto da automação naquele país. Desde então, governos e consultorias privadas têm feito esforços para adaptar os parâmetros à realidade de seus países. No início de outubro, o Valor publicou levantamento da consultoria IDados nessa linha, mostrando: 58,1% dos empregados formais ou informais do país serão substituídos por máquinas em até 20 anos, afetando cerca de 52,1 milhões de pessoas.

A Coppe avançará na avaliação por municípios. Os resultados indicam: mais de 60% das populações ocupadas em todas as cinco regiões do Brasil serão afetadas. Essa substituição por máquinas será mais forte no Centro-Oeste, onde 70,8% dos empregados de carteira assinada devem ser afetados, visto que a região têm grandes centros administrativos, como o Distrito Federal, e municípios com altas taxas de urbanização em contraste com áreas rurais de baixa densidade demográfica – que já passaram pela onda de automação do agronegócio. Em seguida, virão Sul e Sudeste, onde 69,2% dos trabalhadores devem ser impactados, com forte incidência sobre o setor de serviços ali concentrado. Na outra ponta estão Norte (64,3%) e Nordeste (61,3%). Sentirão menos os efeitos da chegada das máquinas por terem economias marcadas por atividades primárias como extração mineral, vegetal e animal, pouco expostas à automação.

O rápido avanço da inteligência artificial (IA) costuma provocar calafrios, com muita gente pensando na possibilidade de as máquinas escravizarem ou destruírem a humanidade no futuro, mas para Kai-Fu Lee essas preocupações estão inspiradas na ficção científica e não representam risco até onde a tecnologia atual permite antever. As ameaças reais, diz o investidor e escritor chinês, são de outra natureza: desemprego em massa e aumento expressivo da desigualdade social. Só.

“Mesmo sem a IA, a desigualdade já uma questão importante porque traz instabilidade e rupturas sociais”, diz Kai-Fu, presidente executivo da empresa de investimento Sinovation Ventures e ex-executivo da área de inovação de gigantes como Google, Microsoft e Apple. A inteligência artificial exacerbará o abismo entre ricos e pobres, ao proporcionar mais riqueza às companhias e pessoas hábeis em extrair valor das novas tendências.

Kai-Fu veio ao Brasil para lançar o livro “Inteligência Artificial” (Globo Livros), cujo subtítulo dá uma dimensão da abrangência das implicações: “Como os robôs estão mudando o mundo, a forma como amamos, nos relacionamentos, trabalhamos e vivemos”.

Dois conjuntos de medidas serão necessárias para evitar ou retardar o aumento da desigualdade.

O primeiro é estabelecer modelos como o de renda mínima universal ou outras métricas capazes de ajudar quem se encontra em desvantagem econômica.

O segundo é dar treinamento profissional. A IA vai destruir muitos empregos e criar outros, mas as novas vagas exigirão mais capacidade técnica.

O autor nasceu em Taiwan, cresceu nos Estados Unidos e hoje mora em Pequim. Ele é considerado uma das vozes mais originais do cenário global de tecnologia. Com o domínio das empresas americanas de internet como Google, Facebook e Amazon, o entendimento que se tem dos fenômenos relacionados à internet costuma ser ditado pela perspectiva do Vale do Silício, onde se concentra a inovação nos EUA. Kai-Fu oferece outra visão – a da China.

Empreendedores, investidores e acadêmicos têm tentado replicar as condições do Vale do Silício em várias partes do mundo, mas isso é impossível. O Vale do Silício é o modelo ideal para inovações porque causam ruptura e reúnem pessoas brilhantes a fazerem coisas inimagináveis, como o iPhone, a montadora de carros elétricos Tesla e a empresa de transporte espacial SpaceX. Mas não dá para copia-lo.

O modelo chinês, “bem pé no chão”, é diferente. É sobre executar a inovação tentando descobrir o que as pessoas querem. E usar dados para chegar a isso. Com a conexão crescente das pessoas, intensos fluxos de informação agora alimentam modelos de inteligência artificial, que se guiam pelo comportamento dos usuários. Não é mais necessário lançar um produto perfeito. Você pode lançar um bom produto, baseado na interação com os dados. O produto ficará melhor à medida que mais informações forem obtidas sobre o gosto do consumidor.

Na era da internet, mesmo monopólios podem não ser uma coisa ruim. Isso se o monopólio oferecer um superaplicativo incrivelmente conveniente para as pessoas. Como exemplo, há o WeChat. A competição em torno dos superaplicativos — capazes de reunirem inúmeras funções em um único software fácil de usar — mostra as características do modelo chinês, orientado a resultados, capaz de aprender à medida que evolui, é rápido e interativo. É um modelo comprovadamente possível de ser copiado.

EUA e China estão mais bem-posicionados para liderar o mundo da inteligência artificial, mas há muitas chances para países como o Brasil. O país tem população homogênea e grande o bastante para desenvolver seu próprio ecossistema de empreendedorismo e conceber aplicações próprias de IA. Em outros mercados, isso não é possível porque a população é pequena ou o país está concentrado demais em atender ao mercado externo.

Além disso, o Brasil é suficientemente diferente. Uma dessas particularidades é a língua. O idioma torna mais difícil a companhias americanas ou chinesas abordar o público local. Não é impossível, mas é mais difícil, o que abre chances para mais aplicações de inteligência artificial serem criadas localmente. A maior parte dos elementos indica uma direção positiva. Não é possível superar os EUA ou a China, mas o Brasil com certeza pode figurar entre os dez maiores no movimento de entender, aplicar e obter lucro com a inteligência artificial.

A falta de engenheiros é uma questão problemática. O número de engenheiros brasileiros voltados às ciências da computação representa um décimo do contingente existente na China e nos EUA. Então, se há 50 engenheiros por mil pessoas nesses dois países, no Brasil não chega a 5. É preciso dar mais ênfase à engenharia.

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Rivian R1T gira em 360 graus sem sair do lugar (vídeo)

Rivian R1T gira em 360 graus sem sair do lugar (vídeo)

A Rivian está em alta nos EUA. Atualmente, a startup americana é a queridinha da América e está aproveitando isso bem, capitando muito dinheiro e clientes, antes mesmo da produção.

A R1T, por exemplo, é a picape futurista da marca que, bem diferente da Tesla Cybertruck, tem um design mais tradicional, apesar dos detalhes.

Contudo, a picape da Rivian reúne mais que um visual interessante. Sua tecnologia de plataforma do tipo skate e emprego de quatro motores elétricos (dois em cada eixo), permite algumas façanhas, entre elas girar no próprio eixo.

Rivian R1T gira em 360 graus sem sair do lugar (vídeo)

A função “Tank Turn” reproduz uma manobra atribuída geralmente aos tanques de combate e também aos tratores de lagartas, que é girar em 360 graus sem sair do lugar.

Para isso, a Rivian R1T inverte a tração em dois dos motores elétricos, estes posicionados de um lado da picape, enquanto os outros dois seguem em sentido normal.

Assim, empregando seu enorme torque, a R1T pode literalmente chegar ao fim da estrada e girar para retornar. A Rivian divulgou um vídeo onde a picape faz essa interessante manobra, impossível para qualquer rival tradicional e mesmo para veículos elétricos que não possuem pelo menos quatro motores.

Rivian R1T gira em 360 graus sem sair do lugar (vídeo)

Nesse teaser, é possível ver as rodas girando em sentidos opostos nos dois lados da R1T. Isso indica também que o SUV de sete lugares R1S terá a mesma função. Com 406 cavalos e 56,9 kgfm, a versão de acesso vai de 0 a 100 km/h em 5 segundos e atinge máxima de 201 km/h.

Com baterias de 105 kWh, essa variante tem autonomia de 370 km na picape e 390 km no SUV. O preço da R1T é de US$ 69.000, enquanto o R1S sairá por US$ 72.500. Se isso ainda não parece o melhor, a Rivian oferece a versão de 135 kWh de bateria, que amplia os motores para 761 cavalos e espetaculares 113,8 kgfm.

Rivian R1T gira em 360 graus sem sair do lugar (vídeo)

Essa variante tem aceleração de 0 a 100 km/h em pouco mais de 3 segundos. Porém, a autonomia vai para 480 e 500 km, respectivamente R1T e R1S. Por fim, a versão de 180 kWh tem potência reduzida para 710 cavalos com o mesmo torque, mas tendo autonomia entre 640 e 660 km, além de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos.

Enorme, a R1T mede 5,514 m de comprimento, 2,014 m de largura, 1,816 m de altura e entre eixos de 3,449 m. No R1S, as medidas são: 5,098 m de comprimento, 2,014 m de largura, 1,821 m de altura e 3,076 m de entre eixos.

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