segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Fundamentos da Análise Pós-Keynesiana

Continuo a tradução do artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, de autoria de Jean-François Ponsot.

Uma das principais dificuldades na definição do pós-keynesianismo vem de da falta de preocupação em discutir os fundamentos de um novo paradigma entre os membros fundadores PK (Pasinetti, 2007). Eichner e Kregel (1957) foram os primeiros PK a tentar compilar sistematicamente os pilares do novo paradigma PK. A tarefa não é fácil.

Lavoie (2014, p. 34) lista quinze características específicas da análise PK, mas indica imediatamente o escopo limitado neste trabalho: essas listas combinam diferentes registros, misturando preceitos metodológicos, hipóteses teóricas e prescrições políticas.

Para facilitar a tarefa, dois processos são frequentemente usados ​​para evitar essa dificuldade:

  1. identificar o que a análise PK tem em comum com heterodoxia,
  2. esclarecer o que a análise PK rejeita da análise econômica padrão.

Quanto à relação entre PK e heterodoxia a diferenciação dos preceitos subjacentes aos programas de pesquisa heterodoxo e ortodoxo contrasta os dois paradigmas em cinco pontos.

A primeira oposição é de natureza ontológica (ou epistemológica):

  1. pessoas heterodoxas aprendem o mundo de maneira realista (“realismo crítico”);
  2. a ortodoxia faz parte de um processo “instrumentista”, para Friedman o realismo das hipóteses pouco importa, o que conta é a coerência e solidez do raciocínio preditivo.

Neste primeiro ponto, os PKs são muito heterodoxos. Uma obsessão do PK, de fato, é inscrever sua análise no “mundo real”.

b) Em debate está a divergência com relação à racionalidade dos agentes:

  1. a heterodoxia pressupõe os agentes econômicos buscarem a mais alta satisfação possível e definir sua racionalidade em relação ao seu ambiente (“racionalidade contextual”);
  2. a ortodoxia repousa sobre agentes otimizadores e basear sua racionalidade no modelo econômico orçamentário, como, por exemplo, o que é encontrado na teoria das antecipações racionais.

c) A terceira divergência é bem conhecida, corresponde à metodologia de pesquisa utilizada:

  1. método “holístico” e “organista” – apenas a queda da maçã chamou a atenção de Isaac Newton e levou a suas descobertas inovadoras, em vez do crescimento das maçãs, enquanto, sob inspiração de Charles Darwin, compreendemos melhor a economia como um complexo sistema adaptativo, composto de seres humanos e instituições interdependentes em um mundo dinâmico e vivo – para a heterodoxia,
  2. método do individualismo metodológico para ortodoxia: “o mundo é pensado a partir do meu umbigo, isto é, o que é melhor para mim deveria ser todo o mundo, afinal, ‘mamãe jamais me contrariou!’”.

d) O “núcleo econômico–ideológico” constitui o quarto ponto de dissimilaridade:

  1. o corpo teórico heterodoxo permanece no tríptico econômico de: produção – crescimento – abundância de recursos a serem distribuídos,
  2. a ortodoxia raciocina em uma economia de livre câmbio, onde o problema de alocar recursos raros permanece ao cargo do livre-mercado sob a ideologia do laissez-faire.

e) Finalmente, heterodoxos e ortodoxos não compartilham “o mesmo posicionamento político” (Lavoie 2014, p.12). É semelhante a uma cisão profundamente ideológica, porque a oposição permanece, em grande parte, na concepção de O Mercado e de O Estado – e, infelizmente, os pós-keynesianos não pensam sob o ponto de vista de A Comunidade!

  1. os pós-keynesianos assumem os mercados serem ineficientes e consideram a intervenção do Estado necessária ser realizada;
  2. o “resto dos economistas” acredita, pelo contrário, na ação virtuosa dos mercados livres (em particular na hipótese de eficiência financeira) e um papel perturbador do Estado quanto ao idílico mundo imaginado “como deveria ser”, isto é, autorregulação do mercado.

Se for feita uma referência aos cinco pontos mencionados acima, a Escola Pós-Keynesiana, evidentemente, se coloca na heterodoxia. Mas isso não basta para definir com precisão o pós-keynesianismo. Em seguida, você pode ver como ele se distingue da ortodoxia.

Lavoie (2015, pp. 816-817) estabelece uma lista de treze pontos do programa da pesquisa ortodoxa em relação à qual os PKs estão claramente separados em suas pesquisas e posicionamentos político-ideológicos:

(1) a teoria de produtividade marginal;

(2) a taxa natural de emprego ou NAIRU;

(3) a taxa de juro natural única;

(4) a teoria dos fundos pré-estabelecidos de empréstimos em função de poupança, canalizada exatamente para investimento, através de “intermediários financeiros neutros” (sic);

(5) o efeito de despejo;

(6) a hipótese de eficiência de mercado;

(7) o princípio das reservas na origem dos empréstimos bancários;

(8) a quantidade excessiva de moeda como causa da inflação;

(9) a Lei de Say: a oferta cria sua própria demanda, logo, o crédito desequilibrará a demanda agregada em relação à oferta agregada;

(10) a determinação do nível de emprego no mercado de trabalho, isto é, na capacitação dos trabalhadores – e aceitação de salário mais baixo – e não em gasto capitalista;

(11) a rigidez dos salários em baixa como causa do desemprego;

(12) a colocação no mesmo plano da dívida pública e da dívida das famílias, ou seja, a dona-de-casa poderia administrar o OGU – Orçamento Geral da União; e

(13) a curva de custo unitário em U.

Fundamentos da Análise Pós-Keynesiana publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com



Jacto Talks: conheça o evento que reuniu os agroinfluencers do Brasil

Com a crescente incorporação de novos recursos e tecnologias nos mais diversos meios, os eventos que promovem a troca de experiências entre pessoas que dividem um mesmo interesse estão em alta atualmente. Essas são excelentes oportunidades para reunir desde entusiastas até grandes influenciadores e especialistas em qualquer assunto, proporcionando, além de um incrível intercâmbio de ideias, até mesmo a abertura de portas para a consolidação de novos negócios.

De olho nessa tendência, a Jacto promoveu no final de outubro um grande encontro com os maiores influenciadores digitais do agronegócio, o Jacto Talks. Quer saber mais sobre essa iniciativa pioneira na área? Confira tudo sobre esse evento neste post!

Afinal, o que é o Jacto Talks?

Antes de qualquer coisa, é preciso entender o que são os eventos denominados “Talks”. Apesar de estar ganhando popularidade e relevância nos últimos anos, esse modelo de conferência surgiu ainda na década de 80, com base em palestras curtas e eficazes para chamar a atenção do público a determinado assunto. Reunindo palestrantes em diversas áreas — que podem ser desde política, educação, saúde até tecnologia e inovação industrial, por exemplo —, o objetivo é compartilhar as melhores ideias e inspirar pessoas que buscam desenvolver e aprimorar a sua atuação.

Transportando esse conceito para o agronegócio, a Jacto decidiu reunir os grandes nomes do setor na atualidade para dois dias de palestras totalmente voltadas aos assuntos que interessam ao produtor rural, em especial à nova geração de profissionais, que busca explorar ao máximo os recursos digitais nas rotinas do campo.

O Jacto Talks aconteceu nos dias 29 e 30 de outubro de 2019, na cidade de Pompeia/SP, onde está localizada a matriz da empresa. Foram convidados mais de 20 influenciadores atuantes em diversos segmentos, como agricultura de precisão, máquinas e equipamentos e culturas específicas.

De acordo com Fabiano Neves, responsável pelas mídias digitais da Jacto, a intenção é que essa iniciativa se torne uma prática recorrente nesse segmento, a fim de formar novos grupos e expandir o formato para outros espaços e com a participação de públicos diferentes e atuantes no agronegócio.

Qual foi o objetivo do evento?

Não há dúvidas de que a intersecção entre o agronegócio e as tecnologias digitais tem causado uma grande revolução no setor. O resultado disso é que novas maneiras de se pensar e desenvolver a agricultura passaram a fazer parte do dia a dia no campo, evidenciando a importância de interligar os diversos conhecimentos e técnicas para buscar um aprimoramento do segmento em larga escala.

Essa nova realidade do mercado somada ao dinamismo das comunicações via Internet fez com que um grupo de pessoas em especial passassem a desempenhar um papel vital na rotina desses profissionais: os agroinfluencers, ou influenciadores digitais especializados no agronegócio.

Para compreender a sua importância, um estudo realizado pelo Instituto QualiBest aponta que esses criadores de conteúdo perdem em influência apenas para amigos e parentes quando se envolve uma efetiva tomada de decisão, seja para o trabalho no campo, seja na busca por um produto ou serviço.

No Jacto Talks, o objetivo foi reunir essas pessoas para discutir assuntos, tendências e novidades relacionados ao agronegócio, sempre buscando unir forças para potencializar a comunicação de informações qualificadas sobre o segmento. Wanderson Tosta, diretor de marketing da Jacto, ressalta a intenção de reforçar a presença da marca também no mundo virtual, estreitando a relação com quem é referência nesse cenário. “Esse é um dos grandes objetivos de estarmos presentes no meio digital, e o Jacto Talks tem o compromisso de contribuir para levar conteúdo de qualidade para o agronegócio brasileiro”, complementa Tosta.

Como aconteceu o Jacto Talks?

De acordo com Fabiano Neves, do marketing da Jacto e que fez parte da organização do talk, a primeira edição do evento foi dividida em três partes principais. Na primeira delas, houve uma apresentação institucional, em que os participantes conheceram melhor as dependências da Jacto, incluindo a fábrica, as escolas, o museu e a área social da empresa. Além disso, ocorreram conversas em uma dinâmica de painéis com os influenciadores conduzidas pelo pessoal da Jacto.

Ainda no primeiro dia, a segunda parte foi marcada por uma grande dinâmica de campo. A ideia era que os participantes passassem por cinco estações para conhecer mais a fundo os produtos, os serviços e as tecnologias na prática.

Finalmente, o segundo dia foi repleto de debates — ou talks. Nessa terceira parte, foram discutidos cinco temas que estão entre os mais relevantes para os agricultores no cenário atual. Para cada tema, um diretor da Jacto conduziu a conversa, que contou ainda com a presença dos agroinfluencers convidados para qualificar e enriquecer o debate, cada um com os seus pontos de vista e conhecimentos sobre os assuntos. Os temas abordados foram:

  • Futuro da Agricultura e Digitalização;
  • Experiência do Cliente;
  • Tecnologia Focada em Produtividade;
  • As Novas Tecnologias Digitais e sua Aplicação na Agricultura Familiar;
  • Investimentos em Educação.

Quem foram os palestrantes do evento?

Para fazer do Jacto Talks um evento amplo, plural e relevante a um grande número de agricultores, foram convidados desde influenciadores que falam com o pequeno produtor até aqueles que dialogam com um perfil mais empresarial. “A gente escolheu pela representatividade de cada um, e não somente pelo número de seguidores”, destaca Fabiano.

Todos os convidados contam com larga experiência na área, muitos deles sendo agricultores, agrônomos e técnicos antes mesmo de atingirem um grande público com os seus conteúdos online. Teve gente de Minas Gerais, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo, enfim, do Brasil inteiro!

Saiba agora quais foram os agroinfluencers convidados e conheça os seus trabalhos nas redes sociais:

Juntos, esses influenciadores têm mais de 5 milhões de seguidores! Se você também se interessa pelos temas do campo, com certeza vale a pena acompanhar os seus trabalhos nas redes.

E se ficou interessado e não quer perder o próximo Jacto Talks, entre em contato conosco agora mesmo para receber mais informações sobre esse evento incrível e descubra como garantir o seu lugar na próxima edição!

O post Jacto Talks: conheça o evento que reuniu os agroinfluencers do Brasil apareceu primeiro em Tecnologia para agricultura – Blog da Jacto.

Jacto Talks: conheça o evento que reuniu os agroinfluencers do Brasil publicado primeiro em https://blog.jacto.com.br



domingo, 1 de dezembro de 2019

Antecedentes Alarmantes quanto ao Risco de Guerra Mundial

Martin Wolf é editor e principal analista econômico do Financial Times. Escreveu artigo (Valor, 27/11/2019) alertando para o risco do cenário mundial face às experiências do passado.

A história não se repete, mas, muitas vezes, rima. Essa observação é, com frequência, incorretamente atribuída a Mark Twain. Mas é boa.

A história é a guia mais poderosa do presente, porque demonstra o que é permanente na nossa humanidade, principalmente as forças que nos impulsionam em direção ao conflito. Uma vez que o maior acontecimento geopolítico atual é, de longe, o explosivo conflito entre Estados Unidos e China, é esclarecedor recordar acontecimentos semelhantes do passado. Em um livro instigante, “Destined for War: Can America and China Escape Thucydides’s Trap?”, Graham Allison, de Harvard, começa com o relato da Guerra do Peloponeso de Tucídides, o grande historiador ateniense do século V a.C. Martin Wolf, no entanto, se concentrará nas três eras de conflito dos últimos 120 anos. Elas têm muito a ensinar.

A lição mais óbvia é a de a qualidade da liderança ser importante. As habilidades e intenções de Xi Jinping são claras: ele é dedicado à hegemonia do partido sobre uma China que renasce. Sob a liderança instável de Trump o mundo todo está em grandes apuros.

O conflito mais recente foi a Guerra Fria (1948-1989) entre um Ocidente democrático liberal, encabeçado pelos EUA, e a comunista União Soviética, uma versão modificada do Império Russo pré-Primeira Guerra Mundial. Foi um conflito de grandes potências entre as principais vencedoras da Segunda Guerra Mundial. Mas foi também um conflito ideológico sobre a natureza da modernidade. O Ocidente acabou vencendo.

Venceu porque a escala das economias ocidentais e a velocidade dos avanços tecnológicos ocidentais superaram amplamente as da União Soviética. Os governados pelo império soviético, além disso, ficaram decepcionados com seus governantes corruptos e despóticos, e a própria liderança soviética concluiu que seu sistema tinha fracassado. Apesar dos momentos de perigo, notadamente o da crise dos mísseis de Cuba, de 1962, a Guerra Fria também terminou de maneira pacífica.

Retrocedendo mais, chegamos ao período entreguerras. Foi um intervalo no qual a tentativa de restabelecer a ordem pré-Primeira Guerra Mundial fracassou, os EUA se retiraram da Europa e uma gigantesca crise financeira e econômica, surgida originalmente nos EUA, devastou a economia mundial. Foi um tempo de agitação civil, populismo, nacionalismo, comunismo, fascismo e nacional-socialismo.

A década de 1930 é uma lição permanente sobre a possibilidade de a democracia vir abaixo quando as elites entram em colapso. É também uma lição de o que acontece quando grandes países caem nas mãos de lunáticos ávidos pelo poder.

Retrocedendo ainda mais, chegamos ao decisivo período 1870-1914. Como observou Paul Kennedy em seu livro clássico, “Ascensão e Queda das Grandes Potências”, em 1880 o Reino Unido gerou 23% da produção manufatureira mundial. Até 1913, essa participação tinha caído para 14%. No mesmo período, a fatia da Alemanha subiu de 9% para 15%. Essa mudança na correlação de forças europeia levou a uma catastrófica guerra tucídica entre o Reino Unido, uma apreensiva potência do “status quo”, principalmente quando os alemães começaram a construir uma frota moderna, e a Alemanha, uma raivosa potência em ascensão.

Por seu lado, a produção industrial dos EUA foi de 15% para 32% do total mundial, enquanto a China caía na irrelevância. Daí para a frente, a ação dos EUA (nos grandes conflitos do século XX) e sua inação (no período entreguerras) determinaram os resultados.

A era atual é uma mescla de todas essas três. É marcada por:

  1. um conflito de sistemas políticos e ideológicos entre duas superpotências, como na Guerra Fria,
  2. uma queda pós-crise financeira da confiança na política democrática e na economia de mercado,
  3. a ascensão do populismo, do nacionalismo e do autoritarismo, como na década de 1930, e, mais significativamente,
  4. uma drástica mudança da correlação de poder econômico, com a ascensão da China, como ocorreu com os EUA antes de 1914.

Pela primeira vez desde então, os EUA enfrentam uma potência com potencial econômico superior ao seu.

O período pré-1914 terminou em uma guerra catastrófica, assim como o período entreguerras, embora este tenha sido seguido por um intervalo pós-1945 relativamente bem-sucedido. A Guerra Fria terminou num triunfo pacífico. Atualmente, o mundo se defronta com desafios facilmente equiparados aos enfrentados nos períodos anteriores. Quais são então as lições a serem tiradas dessas eras?

Talvez a mais óbvia é a de a qualidade da liderança é importante. As habilidades e intenções do presidente Xi Jinping são suficientemente claras: ele é dedicado à hegemonia do partido sobre uma China que renasce.

Mas o sistema político do mundo ocidental e, principalmente os dos EUA e do Reino Unido, as duas potências líderes do mundo no decurso da década de 1930, está fracassando. A liderança instável de Donald Trump lembra a da Alemanha sob o “kaiser” Guilherme II. Sem liderança melhor, o Ocidente e, portanto, o mundo como um todo, estão diante de grandes apuros.

Outra lição é a importância premente de evitar a guerra. O professor Allison descreve bem como a desconfiança mútua alimentou a jornada rumo à guerra em 1914. É ainda mais decisivo para os EUA e a China evitar um conflito frontal agora. Esse foi o grande sucesso da Guerra Fria. Mas a distensão nuclear pode não ser suficiente.

Talvez a conclusão mais importante, porém, seja a de evitar mais uma catástrofe não é suficiente. Não podemos nos dar ao luxo de nos entregar aos velhos jogos de rivalidade entre grandes potências. Por mais inevitáveis que possam parecer. Os nossos destinos estão muito profundamente imbricados para isso.

Uma visão vantajosa para todas as partes das relações entre o Ocidente, a China e o resto do mundo tem de se tornar hegemônica se quisermos administrar os desafios econômicos, de segurança e ambientais com os quais nos defrontamos. A humanidade tem de se sair muito melhor do que antes.

Hoje, isso deve parecer uma fantasia, em vista da qualidade da liderança ocidental, do autoritarismo da China e da maré montante da desconfiança mútua. Mas temos de tentar. Temos de administrar essa nova era difícil de maneira estratégica. Nossos futuros agora dependem da nossa capacidade de fazer isso.

Antecedentes Alarmantes quanto ao Risco de Guerra Mundial publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com



Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta

Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta

Ele foi um projeto bem guardado pela Volkswagen nos anos 80, mas sua existência teria sido descoberta pelas revistas especializadas da época. Ainda assim, sem registro fotográfico, só existiram projeções de como ele seria. Assim, o Gol BY se tornou um dos segredos não revelados da história automotiva nacional, que agora a marca mostra ao público.

Gerando discussões a mais de 30 anos, o projeto BY foi desenvolvido para gerar um modelo menor que o Gol BX, mas utilizando o mesmo produto, porém, encurtado. Ele assim ficaria abaixo do modelo então conhecido nos anos 80, que chegaria à liderança de mercado em 1987, mesmo ano do cancelamento do BY.

Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta

De todos os protótipos feitos, restou somente um exemplar, que ficou esquecido nas instalações da Anchieta até ser resgatado para aparição pública. O Gol BY é um subcompacto com muitas diferenças em relação ao Gol da época, apesar da semelhança.

Da frente até as colunas B, o Gol BY era igual ao projeto BX, que virou o Gol quadrado de então. A única diferença nessa parte frontal era a ausência de calha de chuva, sendo usado uma moldura em borracha. Com visual do Gol de 1987, o BY tem uma traseira encurtada, assim como o entre eixos.

As vigias laterais possuem um formato mais retilíneo e quadrado que às do Gol da primeira geração. Outro diferencial era o teto reto, sem inclinação atrás como no popular, ampliando assim a altura interna no habitáculo. Com colunas C bem mais verticais que às do Gol, o BY tinha tampa do bagageiro envolvente, muito semelhante à do Fiat Uno.

Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta

Falando nele, as lanternas também tinham um formato parecido, sendo exclusivas do BY em relação ao Gol 1987 e anterior. A tampa era curta e sustentava a placa, assim como uma fechadura simples. Orientado para concorrer com o Uno mais barato de então, o projeto da VW usava uma solução interessante no habitáculo.

Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta

Para ampliar o espaço do diminuto porta-malas, que inclusive tinha estepe deixado sob o assoalho, o Gol BY usou um regulador de distância para o assento traseiro, acionado por uma prática alavanca interna, que permitia deslizar o conjunto para fazer bagagem ou passageiros. Esse recurso só foi usado novamente no Fox de 2003.

Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta

Outro diferencial do Gol BY, que também contribuiu para seu cancelamento, foi a suspensão traseira com braços mais curtos, usando molas e amortecedores separados, o que gerava um custo maior. Aliás, o custo de produção foi um dos dois fatores principais que encerram o projeto. O outro era a proximidade da Autolatina.

© Noticias Automotivas. A notícia Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta é um conteúdo original do site Notícias Automotivas.

Gol BY é outro segredo antigo que a Volkswagen revela na Anchieta publicado primeiro em https://www.noticiasautomotivas.com.br



Fiat Uno 2008 é apreendido com 3 mil multas e R$ 54 mi em dívidas

Fiat Uno 2008 é apreendido com 3 mil multas e R$ 54 mi em dívidas

Um Fiat Uno 2008 chamou a atenção em São Paulo, após uma abordagem policial. Ele ostenta em seu registro, uma fortuna em dívidas com o estado e dezenas de milhares de multas.

Flagrado pelo Comando de Policiamento de Trânsito de São Paulo, que faz parte da Divisão de Apoio à Diretoria de Educação ao Trânsito e Fiscalização do Detran local, o Uno 2008 era usado por um frigorífico, a qual estava registrado. Ele tem no cadastro, nada menos que 3.177 multas.

Sem licenciamento desde 2016, o Uno 2008 chamou atenção do policiamento após o motorista tentar se esquivar da abordagem.

Como está em nome de uma empresa, as mais de 3 mil multas acumuladas geram um valor dobrado e a dívida com o estado chega a exatos R$ 54.742.688,49, o que faz dele o novo campeão de multas no país.

O montante é tão alto que daria para comprar 1.177 unidades do Fiat Uno 2020 zero km, que custa R$ 46.490.

Isso representaria quase as vendas mensais do compacto, que em outubro vendeu 1.527 exemplares e acumula no ano 17.093 exemplares. Se for comparado com o preço dele (2008) na tabela Fipe, daria comprar 4.537 unidades.

Fiat Uno 2008 é apreendido com 3 mil multas e R$ 54 mi em dívidas

Desrespeito ao rodízio, invasão de faixa exclusiva de ônibus e excesso de velocidade, recebendo de três a cinco multas por dia. O carro foi recolhido e lavado para o pátio do Detran, de onde deverá seguir para leilão, já que o montante da dívida jamais será pago com a venda do carro. Esta deverá ir para a dívida ativa (Cadin) da empresa proprietária do veículo.

Nos últimos anos, o policiamento de trânsito apreendeu diversos carros com dívidas milionárias, circulando como se nada tivesse acontecido.

Estes veículos geralmente ficam anos sem licenciamento ou pagamento de tributos, gerando um acúmulo de dívidas com o estado que chega a casa de dezenas de milhões de reais, geradas por multas como as citadas.

[Fonte: G1]

 

© Noticias Automotivas. A notícia Fiat Uno 2008 é apreendido com 3 mil multas e R$ 54 mi em dívidas é um conteúdo original do site Notícias Automotivas.

Fiat Uno 2008 é apreendido com 3 mil multas e R$ 54 mi em dívidas publicado primeiro em https://www.noticiasautomotivas.com.br



VEMP: Volks revela jipe militar feito para o Exército nos anos 70

VEMP: Volks revela jipe militar feito para o Exército nos anos 70

A Volkswagen revelou à imprensa alguns modelos históricos que estão na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo-SP, sendo que alguns deles nunca haviam sido vistos publicamente.

Um deles é o jipe militar chamado VEMP, um projeto feito pela Volkswagen nos anos 70 para atender um requisito do Exército Brasileiro. Era algo secreto na época e é tão raro que a própria montadora, hoje em dia, possui pouca informação sobre o veículo.

VEMP era a sigla para “Veículo Militar Protótipo” e a unidade vista nas fotos foi restaurada somente com base nas fotos que foram encontradas nos arquivos “secretos” da Volkswagen do Brasil, já que não existem documentos que revelem mais detalhes do projeto.

 

VEMP: Volks revela jipe militar feito para o Exército nos anos 70

Segundo o que foi descoberto recentemente pela empresa, o VEMP era descrito como um jipe militar com tração 4×4 e com capacidade para rebocar 500 kg. Estes seriam os requisitos impostos pelo Exército Brasileiro na licitação do começo da década de 1970.

Feito sobre um chassi, o VEMP tinha formas retilíneas para facilitar a manutenção, tendo ainda formato compacto e com ausência de capô na frente, onde na parte superior, levava um estepe. A frente tinha dois faróis circulares com piscas separados e grades para proteção do conjunto ótico.

O para-choque de aço tinha barras de proteção inferiores para proteger parte da suspensão e o diferencial dianteiro. A Volkswagen adicionou rodas da época ao veículo, que rodada com rodas de liga leve dentro da fábrica, quando foi “redescoberto”.

VEMP: Volks revela jipe militar feito para o Exército nos anos 70

Com para-brisa dobrável, capota de lona e portilhas de acesso, o VEMP lembra muito o Gurgel X12 Xavante que, provavelmente, foi concorrente do VW na mesma licitação.

Tendo estribos laterais tubulares, o antigo militar tinha ainda grades para refrigeração nas laterais, lanternas da Kombi Corujinha, pequena tampa de acesso ao motor e um galão extra de combustível, embutido na traseira.

O para-choque tinha um ganho para reboque. Por baixo, o chassi era reforçado o motor boxer da época, que aciona um câmbio com caixa de redução na traseira e um cardã que se conectava ao diferencial dianteiro, sendo este acionado por alavanca ao lado do câmbio.

VEMP: Volks revela jipe militar feito para o Exército nos anos 70

O VEMP tinha suspensão dianteira por barras de torção na frente. Sem muita informação, a Volks adicionou ao restaurado bancos do Fox e motor boxer da Kombi, que provavelmente era o usado na época.

Esse carro era utilizado dentro da fábrica para puxar carretinhas de peças e estava totalmente descaracterizado. Antes feito para o Exército, agora o VEMP fará parte permanente do acervo histórico da VW.

© Noticias Automotivas. A notícia VEMP: Volks revela jipe militar feito para o Exército nos anos 70 é um conteúdo original do site Notícias Automotivas.

VEMP: Volks revela jipe militar feito para o Exército nos anos 70 publicado primeiro em https://www.noticiasautomotivas.com.br



Correntes Teóricas e Fundamentos da Análise Pós-keynesiana

O artigo LAS CORRIENTES TEÓRICAS Y LOS FUNDAMENTOS DEL ANÁLISIS POST-KEYNESIANO, publicado na revista equatoriana Cuestiones Económicas Vol. 27, No. 2:2, 2017, é de autoria de Jean-François Ponsot, Doctor en Ciencias Económicas de la Université de Bourgogne y University of Ottawa, Director del Centro de Investigaciones en Economía de Grenoble CREG – Université Grenoble Alpes.

Ele trata da herança de Keynes na análise econômica pós-keynesiana e sua contribuição na heterodoxia contemporânea. Também propõe uma análise da Escola Pós-Keynesiana com base nas cinco correntes: Fundamentalistas, Kaleckianos, Sraffianos, Institucionalistas e Kaldorianos. Mostra a existência de uma base comum dessas abordagens em torno de de cinco pressupostos brevemente expostos. Finalmente, questiona a crítica pós-keynesiana a modelos macroeconômicos padrão de críticos neo-keynesianos. Estes, em conjunto com regulacionistas e institucionalistas, radicalizaram seu discurso desde a crise financeira global (Stiglitz, Krugman, Blanchard).

O pós-keynesianismo (PK) é uma escola heterodoxa de pensamento econômico. Ela se desenvolve em meados da década de 1950. Ela encontra suas origens nas reações críticas às obras de John Maynard Keynes. Foram reações à Teoria Geral, obra publicada em 1936, mas antes ainda com as reflexões críticas contribuídas por um grupo de jovens economistas de Cambridge agrupados em The Circus, depois da publicação do livro A Treatise on Money, em 1930. No entanto, é necessário esperar até início da década de 1970, para essa escola de pensamento assumir o nome de pós-keynesianismo.

Seus principais representantes foram qualificados, antes, como neo-keynesianos, ou reagrupados e rotulados de membros “Escola Anglo-Italiana” ou “Escola de Cambridge” da Economia keynesiana. Essas últimas escolas ganharam popularidade com os modelos de crescimento e distribuição de Kaldor – Pasinetti (Baranzani & Mirante, 2013), propondo uma alternativa à teoria neoclássica baseada na produtividade marginal. O objetivo principal era concluir o trabalho de Keynes, integrando a acumulação de capital e a análise de longo prazo sob a influência de Joan Robinson (1956).

Embora seja verdade Nicholas Kaldor e Joan Robinson às vezes falarem da abordagem pós-keynesiana, são as trocas de correspondência entre Alfred Eichner e Joan Robinson, no início dos anos 70, a maior fonte de divulgação do nome dessa escola de pensamento. Jan Kregel (1973) a incluiu como subtítulo de seu trabalho dedicado à Escola keynesiana de Cambridge. Eichner e Kregel (1975) retomam a expressão no título de seu estudo publicado no Journal of Economic Litterature. Finalmente, no palco decisivo, Paul Davidson e Sydney Weintraub criam o Journal of Post Keynesian Economics em 1978.

Vários autores pós-keynesianos (PK) conduziram estudos nos quais propõem a história do pensamento pós-keynesiano. O exercício se torna difícil por causa do fato da ausência de coesão completa no PK se impor, tanto no plano teórico quanto no metodológico. Então, não é surpreendente ter uma infinidade de classificações de correntes e fundamentos da análise PK.

A classificação das correntes PK mais conhecidas é a realizada por Hamouda e Harcourt (1988). Ela permite a distinção de três ramos complementados aqui com a ajuda dos trabalhos de Arestis e Sawyer (1993), Arestis (2013), Lavoie (2011), Lavoie (2014), Hein & Lavoie (2014); e King (2015):

  1. Os Pós-Keynesianos norte-americanos, também chamados PK Marshallian (Arestis & Sawyer, 1993), fundamentalistas do PK (Lavoie 2014, King 20153), keynesianos financistas ou ainda reagrupada na Keynes School (Davidson, 1982). Seus tópicos de pesquisa privilegiam a economia monetária de produção, instabilidade e fragilidade do sistema financeiro, preferência de liquidez e incerteza fundamental. Hamouda & Harcourt (1983) os qualificam como PKs “americanos”. Os primeiros representantes dessa corrente (Hyman Minsky, Sydney Weintraub, Paul Davidson, Victoria Chick, Basil Moore) têm origens ou foram formadas nos Estados Unidos. No entanto, seus representantes atuais (por exemplo, Fernando Carvalho, Giuseppe Fontana, Jan Kregel, Edwin Le Héron) também pertencem a outras regiões.
  2. Os Kaleckianos, em torno de Joseph Steindl (aluno de Kalecki) e Joan Robinson, para quem as obras de Kalecki foram mais enriquecedoras do que os de Keynes, pois pretendiam construir uma teoria alternativa à de Keynes, onde se distinguiu, corretamente trabalhadores e capitalistas na teoria geral do emprego, juros e dinheiro, mas os Kaleckianos consideraram ele não haver examinado todas as consequências desta distinção essencial, ao contrário de Kalecki. Este ramo corresponde à Robinsoniana na tipologia dirigida por Arestis (1996). Na atualidade, essa corrente é muito profunda. É um grupo em volta em particular de Malcolm Sawyer, Amitava Dutt, Engelbert Stockhammer, Eckhard Hein, Robert Blecker, Steve Fazzari, Lance Taylor, Jan Toporowski, etc. Entre eles, destacam-se os tópicos de pesquisa privilegiados por esta atual corrente em torno de ciclos econômicos, crescimento, teoria dos preços. Empresta especial atenção aos conflitos de distribuição de renda e, de perspectiva mais marxista, na formação do lucro. Note-se grande parte das obras kaleckianas são enquadradas, sob um ponto de vista empírico, na visão um tanto caricatural pela qual a PK seria relutante em usar instrumentos quantitativos.
  3. Os sraffianos ou neo-ricardianos, ou seja, os herdeiros de Piero Sraffa, estão localizados na sequência de Luigi Pasinetti e Piero Garegnani. O foco é concentrado nos preços relativos dos sistemas de produção multissetoriais, opções tecnológicas, teoria do capital e desequilíbrios de longo prazo. A inclusão dessa corrente nem sempre teve consenso entre o PK. Por exemplo, John E. King (2015) não os integra na tipologia. Mas, globalmente, eles são cada vez menos credíveis. Deve-se dizer: as controvérsias sobre a teoria do capital pela escola keynesiana de Cambridge, na década de 1960, é a consequência direta dos críticos sobre o trabalho Sraffa. Existe, então, uma forma de patrimônio histórico em relação entre Sraffa e o PK. Por outro lado, a maioria dos sraffianos contemporâneos (em particular, Gary Mangiovi, Massimo Pivetti e Franklin Serrano) compartilham as mesmas posições que os PKs no relacionamento de causalidade entre investimento (I) e poupança (S), o papel da demanda efetiva de curto e longo prazo e a endogeneidade da oferta de dinheiro. Recentemente, houve o surgimento de convergências em pontos de vista de uma parte do trabalho da PK sobre o meio ambiente e a ecologia e, por outro lado, na análise de sistemas de produção multissetorial dos sraffianos, particularmente adaptado à evolução do impacto da produção sobre o uso de recursos naturais e a contaminação poluente.

A classificação de Hamouda e Harcourt (1988) tem a vantagem de ser simples. No entanto, tem três principais desvantagens.

Primeiro, ela focaliza a priori os autores anglo-saxões, enquanto a Escola PK agora agrupa pesquisadores da Europa continental, latino-americanos, asiáticos, etc. Por outro lado, este esqueceu alguns autores de PK como chefes de linha ou fluxo e acrescentaram um novo ramo na classificação: Galbraith, Kaldor, Goodwin, Pasinetti, Godley, os circuitoistas, etc. Vamos parar por um momento sobre estes últimos para ilustrar os limites da taxonomia de Hamouda & Harcourt.

Trazidos por Graziani, Parguez, Barrere, Poulon e Schmitt, os circuitistas estão próximos da corrente “americana” ou “fundamentalista”, segundo Lavoie (2014, p. 39). Mas eles são mais europeus em lugar dos “americanos” e, acima de tudo, eles têm muitos pontos em comum com a segunda corrente, a dos Kaleckianos (Arestis e Sawyer 1993, Lavoie 2014). Circuitistas concordam em dar importância às instituições (a endogeneidade da moeda é uma hipótese central e o circuito repousa sobre a articulação próxima entre os três “polos” bancos, empresas e famílias) e aos relatórios de energia. Simplesmente, esses temas são cancelados no estabelecimento das prioridades das três filiais da Hamouda & Harcourt. Então, é possível exigir ou classificar, em resumo, os circuitistas nessa classificação?

Finalmente, as três correntes de Hamouda e Harcourt (1988) excluem, como será visto mais adiante, autores a priori relacionados a outras escolas heterodoxas. Porém, seus trabalhos convergem mais ou menos com os fundamentos do Programa de Pesquisa Científico do PK. Entre outros, destacam-se Veblen, alguns institucionalistas, reguladores, os (neo) estruturalistas, etc.

Levando em consideração essas deficiências, é conveniente remodelar a classificação dos autores do PK. Além das três correntes mencionadas, propõe-se adicionar duas outras correntes, a dos Kaldorianos (considerando Lavoie 2014 e Hein & Lavoie 2015) e dos PKs institucionalistas (como Arestis e Sawyer 1993, Arestis 1996, Lavoie 2014, Hein & Lavoie 2015).

  1. Os Kaldorianos encontram os fundamentos de sua análise em Nicholas Kaldor, Roy Harrod, Richard Goodwin, John Cornwall e Wynne Godley. Os itens privilegiados são crescimento econômico, processos cumulativos, regimes de produtividade, restrições monetárias. Deve-se enfatizar a ênfase dada às restrições na economia aberta, como restrição do balanço de pagamentos. A metodologia utilizada se apoia na identidade macroeconômica fundamental vinculada ao saldo financeiro, saldo privado entre poupança e investimento, déficit público e saldo de transações correntes: (S-I) + (T-G) = BTC. Isso é baseado no trabalho formalizado inicialmente por Wynne Godley, depois no Departamento de Economia Aplicada (Universidade de Cambridge) e no Instituto Levy.

Os herdeiros dessas abordagens fundadoras são, por exemplo, Mark Setterfield em Macroeconomia, ou Anthony Thirlwall em Economia do Desenvolvimento. Semelhante aos Kaleckianos, os Kaldorianos recorrem em abundância a métodos empíricos e modelagem. Um caso particular é a Modelagem SFC (modelos coerentes de fluxos e estoques), desenvolvida de forma extensa na França pela geração jovem do PK.

  1. PKs ​​institucionalistas: a inclusão da abordagem institucionalista é relativamente recente, porque vem dos anos 90. Arestis & Sawyer (1993) dizem eles se referirem a Thorstein Veblen e citam Hodgson. Consideram a ponte com o PK poder contribuir para fornecer ferramentas, conceitos e métodos bem utilizados para consolidar a microeconomia PK. Fred Lee (1998) adota essa perspectiva. Outros fatores contribuíram para a abordagem. Admissão ao Journal of Post Keynesian Economics de John Kenneth Galbraith, sem dúvida, desempenhou um papel decisivo, bem como a divulgação nos círculos PK das obras de seu filho James Galbraith.

Outra conexão está na análise de convenções e a abordagem institucionalista monetária francesa. Ela se concentra na comportamentos miméticos. Os trabalhos de André Orléan (1998) sobre a imitação de antecipações e racionalidade auto-referencial sobre mercados financeiros caracterizam o trabalho de Keynes sobre especulação, em A Teoria Geral do Emprego, Juros e Dinheiro, em particular sua metáfora do concurso de beleza.

A abordagem MMT (Modena Teoria Monetária), relativamente recente, é ativa e empregada por PK institucionalistas contemporâneos. Ela se inspira em três grupos de autores:

  1. os chartalistas, no início do século XX (Knapp, Innes);
  2. a Teoria das Finanças Funcionais, construída por do Abba Lerner na década de 1940; e
  3. a Teoria da Instabilidade Financeira, elaborada por Hyman Minsky.

Trazido por Randall Wray, Eric Tymoigne e Pavlina Tcherneva, a abordagem MMT se concentra na relação institucional entre o governo e o Banco Central, as informações dadas pelos agentes econômicos com o uso da moeda, a organização de sistemas de pagamento e os “regimes monetários soberanos” (Wray, 2012). Ele se pergunta sobre a capacidade do Estado de gerar ações e instituições capazes para alcançar o pleno emprego (Fullwiller, 2003). Finalmente, esta abordagem fornece uma visão radical do financiamento por emissão monetária do déficit orçamentário e deduz uma Teoria do Estado através da atuação do Banco Central como emprestador de último recurso (EDR), além da ideia do salário universal fixo.

Cinco correntes de pensamento compõem a Escola PK. No entanto, é conveniente medir os problemas enfrentados por qualquer taxonomia: esse processo tende, com efeito, isolar os autores em caixas rotuladas [inclusive para constituir “câmeras de ecos”, “bolhas impermeáveis ao debate contraditório” e meios de ascensão na carreira profissional através de troca de favores, citações e convites] e conceder uma visão estática da escola de pensamento. Em geral, no debate científico e público, os autores evoluem e outros novos aparecem. Por outro lado, alguns elaboram suas obras sem preocupação de ocupar um único quadrado e “pensar fora-da-caixa”, como foi visto, por exemplo, com os circuitistas.

Outro exemplo revela um problema de consistência em nossa classificação: alguns autores PKs institucionais, como as do MMT, por exemplo, referem-se fortemente a Minsky, o último está organizado na primeira categoria, a dos fundamentalistas.

Isto visto, se deve considerar o ecletismo e a pluralidade dos autores da PK, apesar da evidência de cinco correntes bem identificadas. Esse fenômeno de hibridação também se refere a PKs seniores (por exemplo, Philip Arestis, Geoffrey Harcourt, John E. King, Edward Nell, Steve Keen) e juniores (como Louis-Philippe Rochon, Matias Vernengo, Sergio Rossi ou Matthew Forstater). Estes atestam a riqueza e variedade de obras contemporâneas de PK.

Correntes Teóricas e Fundamentos da Análise Pós-keynesiana publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com