
Há males que vem para bem. A mudança de data do Salão de Detroit 2020 para junho, fato que ocorreu no ano passado, foi benéfico diante da pandemia de coronavírus, de acordo com especialistas ouvidos pelo jornal Detroit Free Press.
A tradicional mostra americana sempre ocorreu no início do ano, em janeiro, mas nas últimas edições, o Salão de Detroit veio sofrendo com a forte concorrência da CES, feira de tecnologia que é realizada em Las Vegas, Nevada, na mesma época.
Com o aumento de lançamentos de carros elétricos e aumento da conectividade e outras tecnologias automotivas, várias marcas decidiram migrar algumas atrações de Detroit para Las Vegas, esvaziando a mostra de Michigan. A saída para a organização foi transferir o evento para junho de forma definitiva.
Esse movimento, feito para evitar a fuga de atrações e fabricantes do evento, foi crucial também para que a disseminação do coronavírus não acelerasse nos EUA, que atualmente contabiliza pouco menos de 338 mil casos e quase 11 mil mortos. Especialistas em saúde disseram que se o Salão de Detroit tivesse ocorrido em janeiro, o país estaria em situação pior.

O motivo é que milhares de jornalistas e executivos de montadoras se reúnem em Detroit, onde ocupam a rede hoteleira. Além disso, eles geralmente participam de eventos privados e saem para passeios na cidade, mesmo utilizando o metrô. Em janeiro, apenas no dia 21, surgiu o primeiro caso de Covid-19 nos EUA.
No ex-COBO Hall, o evento geralmente começava na segunda semana de janeiro, ou seja, semanas antes do primeiro caso. Além disso, no início do ano, o coronavírus ainda era encarado como um surto em Wuhan, sendo que os EUA e outros países, especialmente a Itália, ainda encaravam a doença como localizada, sem fazer nenhuma preparação.
Dentro do evento, os dias de imprensa reúnem milhares de pessoas da imprensa, indústria, celebridades, convidados e toda uma equipe de apoio gigantesca. Com aglomeração em todos os cantos, os especialistas acreditam que o evento automotivo tornaria os EUA epicentro da doença bem antes do atual momento e Detroit seria o ponto de disseminação da doença junto com Wuhan.
Isso sem contar que o retorno da imprensa e de executivos das marcas para seus países de origem, espalharia ainda mais rápido o Covid-19, podendo pegar muitos países de surpresa.
Para piorar, em fevereiro a China praticamente se fechou, o que tornaria a compra de materiais médicos praticamente impossível antes da reabertura do país, como agora. Mesmo em junho, o Salão de Detroit não poderá ocorrer e será realizado em 2021. Hoje, Michigan tem 16 mil casos e mais de 600 mortes, infelizmente.
[Fonte: Detroit Free Press]
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