Jean Tirole (1953- ), ganhador do Prêmio Nobel de Economia 2014, por análise do poder e regulação de mercado, em seu livro Economia do bem comum (1ª.ed. – Rio de Janeiro: Zahar, 2020), afirma: “qualquer que seja sua disciplina, o pesquisador tem a chance de fazer um trabalho onde a motivação intrínseca desempenha um papel central. A grande maioria dos meus colegas é apaixonada por ser “loucos por pesquisas”.
O mesmo acontece em muitos laboratórios de pesquisa em todas as disciplinas científicas. A comunidade científica representa um ambiente de trabalho atraente. Ela não tem nada a invejar ao de muitas outras comunidades.
A atividade de pesquisa tem a especificidade de ser implantada por um longo período, reivindicada explicitamente pelo cientista. Com o longo horizonte, surge a dúvida, o equivalente à angústia da página em branco do escritor, mas também momentos de verdadeira emoção intelectual.
O grande cientista francês Henri Poincaré descreveu o prazer inigualável da descoberta (esta citação está inscrita nas medalhas do CNRS): “O pensamento é apenas um lampejo no meio de uma longa noite, mas é esse lampejo é tudo.”
O trabalho do pesquisador é, sem dúvida, um trabalho privilegiado, um trabalho de grande liberdade, cereja no topo do bolo, momentos intensos quando o anterior era apenas confusão de repente se torna simples e claro. Então, obviamente, como para qualquer professor, o pesquisador tem a felicidade de transmitir seus conhecimentos.
A motivação intrínseca não é, obviamente, o nosso único condutor. Os cientistas não são diferentes dos membros de outras categorias sócio profissionais: eles reagem ao meio ambiente e aos incentivos enfrentados.
Eles realizam e organizam sua atividade com base não apenas em sua motivação intrínseca, mas também em:
- seu desejo de reconhecimento por seus pares e pela sociedade,
- seu desejo de promoção ou poder ou
- suas aspirações financeiras.
Todo pesquisador se preocupa com o reconhecimento de seus colegas. Isso também costuma dar acesso aos melhores alunos e/ou orientandos, aliviar suas restrições e aumentar seu conforto de vida.
Mas quanto mais próxima a disciplina científica estiver das aplicações concretas, como é o caso da Economia, Ciência da Computação, Biologia, Medicina ou Ciência do Clima, mais as motivações extrínsecas podem se multiplicar:
- emolumentos dos setores público e privado,
- respeito por amizades fora do mundo acadêmico,
- busca de atenção da mídia ou
- desejo de influência política.
As motivações são, portanto, complexas e múltiplas, mas, em última análise, não é a origem da motivação o que conta. Um pesquisador pode desenvolver sua teoria por orgulho, ganância ou rivalidade com o vizinho do escritório, mas o resultado final é o avanço da Ciência e sua validação por meio de um processo aberto de crítica.
Profissão de Cientista Econômico publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com

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