segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Inovações Tecnológicas Digitais com 5G

Ana Lúcia Moura Fé (Valor, 05/11/2019) informa: a evolução das tecnologias digitais e das redes sem fio vai transformar as telecomunicações e mudar a forma como as operadoras geram receita nos próximos anos. O setor — e, de resto, toda a indústria de TI e empresas usuárias — apronta-se para agarrar o máximo de oportunidades de negócios vislumbrados no rastro da quinta geração de celulares (5G). Ela já é realidade no mundo e deve desembarcar por aqui nos próximos anos.

Uma das poucas certezas do mercado é essas oportunidades virem, embora os leilões de espectro para 5G sequer tenham ocorrido e ninguém saiba ao certo qual será o modelo de negócios capaz de compensar os investimentos das teles na modernização das redes.

A expectativa de líderes do setor é os leilões focarem menos na arrecadação para a União e mais nos benefícios da tecnologia para a sociedade. Em outras palavras, além da pressa para distribuir frequências, eles querem equilíbrio entre preços e obrigações para as teles cumprir, de modo a sobrar recursos para investir no crescimento da rede 5G.

Todos esses gastos ocorrerão em paralelo aos investimentos na rede 4G. Ela cresce de forma explosiva e é a fonte da receita na qual as teles precisam para investir mais. Estudos mostram, entre 2018 e 2022, o tráfego 4G crescerá quatro vezes.

Mas é a quinta geração, de fato, a capaz de iniciar a nova era de produtividade em todos os segmentos econômicos. Sua chegada motivará teles a buscar novas formas de monetizar os dados a transitarem por suas redes e a ofertar serviços de maior valor, além da conectividade. Trata-se de oportunidade única para consolidação de um ecossistema digital brasileiro.

Não se pode perder essa onda tecnológica, a próxima só chegará em dez anos. A 5G pode aumentar o PIB local em um ponto percentual em uma década. Cada ponto representa cerca de R$ 23 bilhões e a criação de 200 mil empregos formais.

Vem por aí uma autêntica revolução na forma como as pessoas trabalham, estudam, interagem e se divertem. Além disso, a 5G ajudará o país a reduzir gaps persistentes em relação a outras nações em áreas como educação, segurança e saúde. Cerca de 55% dos médicos brasileiros estão em grandes cidades que abrigam apenas 24% da população.

A expectativa da TIM é a telemedicina baseada em 5G, como ultrassonografia a distância com imagens de alta precisão e resposta instantânea aos movimentos do médico, trazer eficiência para toda a cadeia de saúde. Isso se repetirá em outros setores.

As teles já pavimentam o caminho para 5G realizando testes e mudando a infraestrutura. Alguns exemplos: na TIM, a virtualização atingiu 50% das funções de rede e deve chegar a 70% em dois anos. Na Oi, está em curso grande capilarização da rede de acesso em fibra óptica para suportar o crescimento da banda larga fixa e o acesso móvel para 5G.

O grupo Claro (dono da Claro e da Embratel) e a Vivo (controlada pela Telefônica Brasil) seguem a mesma trilha: virtualizam a rede, expandem malha óptica e distribuem minidatacenters pelo país para chegar mais perto dos clientes e poder explorar todo o potencial da internet das coisas e da 5G. Todas esperam menos entraves para construção de antenas e fibras e estímulos para compartilhamento de infraestrutura.

Os altos gastos das teles são um obstáculo no caminho. Será um desafio gerar receita incremental nesse negócio chamado 5G quando mais de 20% da nossa receita é investida em Capex. Por outro lado, avançou-se muito na construção de um ecossistema de parcerias para ofertas de serviços em áreas como saúde, educação, conteúdo e entretenimento, e que podem evoluir no mundo 5G.

A maior geração de valor será no âmbito de aplicações para a indústria. Experimento com sensores 5G na Europa resultou em economia de € 27 milhões por ano em uma única unidade de fabricação de pás de turbina de avião.

No Brasil, há importância de cobertura fora dos grandes centros. A Ericsson já instalou no país mais de 300 mil rádios 4G aptos a suportar 5G mediante simples upgrade remoto de software.

A 5G abrirá um número inédito de frentes de atuação. Não haverá êxito da indústria se não for por meio de parcerias envolvendo todos os interessados, sejam fornecedores e operadoras, sejam empresas usuárias. A 5G vai permitir a NEC voltar ao Brasil com seu produto de rádio próprio.

Alguns mercados novos já despertam a atenção das operadoras e de todo o ecossistema de telecomunicações e TI. É o caso do setor de mídia e entretenimento 5G, que mal nasceu e já tem expectativa de gerar US$ 1,3 trilhão daqui a oito anos.

Um exemplo de monetização para teles nessa área é a chamada realidade imersiva. Ela possibilita manipulação virtual de objetos do mundo físico conectados à internet das coisas. “Hoje, é possível participar virtualmente de um show real e ao vivo comprando um assento virtual no palco, ao lado do seu músico favorito”, diz Medeiros, acrescentando que uma grande operadora na Europa acaba de selar contrato com empresa de tecnologia para vender esse serviço aos clientes premium de 5G. Ela pode vender o mesmo assento virtual para um número ilimitado de pessoas.

A realidade imersiva tende a florescer também no segmento de carros conectados, com potencial de gerar receita incremental para montadoras e operadoras. A Ford investe alto em parcerias com teles para soluções de carros conectados. Esta é uma das que apostam na tendência.

A onda de inovação acelerada requer mais abertura a alianças e mais cuidado para o consumidor não sair do centro das estratégias. Há novos riscos da Era da Informação. O excesso de dados e de estímulos tem aumentado o nível de ansiedade (e intolerância) na sociedade.

Inovações Tecnológicas Digitais com 5G publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com



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