quinta-feira, 9 de abril de 2020

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

O Xantia foi um carro que deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën, chegando ao Brasil depois do XM com sua suspensão hidropneumática revolucionária.

Projetado por Bertone e sucessor do clássico Citroën BX, o Xantia durou nove anos em produção e teve 1,2 milhão de unidades produzidas, tendo sido construído em carrocerias hatch e perua.

O interessante desse francês é que foi produzido também no Irã, mas somente após o fim da produção na França, mantendo-se mais nove anos em linha de montagem no país do Oriente Médio. Ele inspirou o Citroën Xsara em estilo.

Assim, de 1991 a 2010, o Citroën Xantia esteve sendo montado pela PSA e SAIPA. Além da suspensão Hydractive, o modelo também dispunha de outra tecnologias, as barras anti-rolagem ativas.

Xantia

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Desde tempos imemoriais a Citroën vem explorando inovações tecnológicas que colocaram seus carros na vanguarda automotiva e esse legado dura até os dias atuais, sendo que no meio do caminho, o Xantia foi um dos destaques.

Iniciando com o Traction Avant e depois com o clássico DS, a Citroën sempre explorou um rodar macio e sem oscilações, que permitisse aos ocupantes ter quase a sensação de que estavam em casa.

Assim, uma suspensão que trabalhasse bem isso, era fundamental. Na altura em que o Xantia apareceu, a marca parisiense já era bem experiente no sistema hidropneumático e havia feito uma revolução com o icônico XM pouco antes.

Quando chegou ao Brasil, o consumidor local já havia sido impactado pelo XM, que era anos-luz adiante de qualquer carro nacional da época. O Xantia não ficou muito atrás, levando a vantagem de ser menos exótico, porém, não menos especial.

Xantia – Estilo

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

O Xantia seguiu um estilo mais limpo e funcional que o XM e bem mais moderno que o BX. Com linhas mais fluidas e boa área envidraçada, o hatch francês tinha frente baixa e entre-eixos longo.

Medindo 4,440 m de comprimento, 1,755 m de largura, 1,388 m de altura e 2,740 m de entre eixos, o Xantia  permitia aproveitar bem o espaço interno com versatilidade e conforto.

Com essa base tão longa, seria de imaginar o mesmo raspando em nossas lombadas e depressões, mas a Hydractive era um recurso que os carros comuns não tinham e tais obstáculos não seriam um empecilho para o francês.

A frente tinha faróis duplos retangulares e bem afilados, que ainda tinham piscas separados, tudo num conjunto de lentes claras. Já a grade era pequena e tinha pequenas lâminas, como um barbeador, e o duplo chevron.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Na versão VSX, que foi a que chegou ao mercado brasileiro em 1994, o Xantia trazia para-choque com parte superior em acabamento preto e friso cromado, tendo abaixo uma grade retangular e dois faróis de neblina.

Nessa configuração, o Xantia VSX tinha ainda maçanetas embutidas em cor preta, assim como os retrovisores. As laterais eram protegidas pelo mesmo acabamento com friso cromado, reproduzido atrás no para-choque.

O Xantia tinha lanternas horizontais levemente escurecidas e cortadas pela grande tampa do bagageiro, que era pronunciada em relação às colunas C. O francês era de fato um notchback, assim como o Ford Escort da época.

Com linha de cintura baixa e grandes janelas, o Xantia tinha uma boa visibilidade para o exterior e as colunas C apenas reforçavam a imagem de robustez do produto. Essa vigia traseira ainda vinha com limpador, lavador e desembaçador.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

As rodas de liga leve tinham desenho bem harmônico para a proposta do Xantia, que ainda tinha antena bem pronunciada no teto, perto do para-brisa, bem como repetidores de direção nos para-lamas.

Por dentro, o Xantia tinha um painel bem equilibrado, que trazia um agrupamento de instrumentos no lado do motorista, deixando-o com diversas funcionalidades à mão.

O cluster era amplo e tinhas mostradores grandes para velocímetro e conta-giros, ficando os pequenos para nível de combustível e temperatura da água. Ao lado ficavam os difusores de ar centrais, assim como o relógio digital.

Um sistema de áudio integrado em um painel grande, incluía um display digital e um toca-fitas. O ar condicionado era dotado de alavancas, mas era automático.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

O volante de quatro raios vinha com comandos de mídia e ajuste em altura. O Xantia chamava atenção por um teclado numérico sobre o túnel central, logo à frente da alavanca da transmissão.

Trata-se de um sistema de segurança que permitia liberar a partida apenas com um código, mesmo tendo a chave original do carro. Todo o ambiente tinha revestimento soft na parte superior do painel e portas.

Na lateral esquerda, havia dois difusores de ar na vertical. O piloto automático era acionado no painel e ajustado em uma haste na coluna de direção. O seletor de marchas tinha manopla tipo manete. Havia ainda cinzeiro com fonte 12V acima.

O porta-luvas era grande e tinha iluminação, além de chave. As portas tinham apenas comandos dos vidros dianteiros, já que os traseiros (para quem estava na frente), ficavam entre os bancos. O passageiro ainda tinha uma barra no painel.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Entre os bancos dianteiros, ficava o ajuste de altura da suspensão hidropneumática, lembrando que havia duas versões da mesma, sendo uma convencional e a Hydractive eletrônica, que era oferecida apenas na versão Activa.

Atrás, o espaço para as pernas era generoso e o Xantia trazia bancos bem confortáveis na frente e atrás, sendo que o traseiro tinha também cinto de três pontos para o quinto passageiro. Os porta-revistas eram ampliáveis também.

No teto, as alças eram embutidas no acabamento e as luzes internas eram nas colunas B. As portas traseiras tinham comandos dos vidros e acabamento igual às da frente. O porta-malas tinha apenas 317 litros e abertura por botão.

Activa, V6 e Break

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

O Xantia chegou ao Brasil nas versões 2.0 8V automática e 2.0 16V manual. Mais adiante, o francês recebeu a versão V6, além da Activa 2.0 e Activa V6 3.0. Estas duas últimas vinham com as barras anti-rolagem ativas, daí o nome.

Na versão V6, independente de ser ou não Activa, o visual incluía lavador de faróis, rodas maiores, persiana no vidro traseiro, bancos em couro natural, acesso ao porta-malas e teto solar elétrico.

Além disso, trazia ainda apoio de braço central na frente e atrás, volante em couro, modo de endurecimento da suspensão, sensor de chuva e retrovisores com tilt down.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Uma curiosidade era que os apoios de braço das portas dianteiras tinham porta-objetos grandes, ocultos. Era uma medida também de segurança contra furtos.

O Xantia teve ainda a versão perua Break, cuja carroceria era feita pela Heuliez – um fabricante de minicarros diesel, chamados de ciclomotores na França – chegando aqui apenas na versão GLX 2.0 manual ou automática.

Ela tinha 4,712 m de comprimento e tinha porta-malas com 512 litros de capacidade, podendo ser ampliado para 1.690 litros. Hoje em dia é um modelo raro nas ruas brasileiras.

Atualização

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Em 1997, o Xantia ganhou um facelift, que introduziu novos para-choques, mais envolventes e dotados de acabamento superior na cor do carro, ainda que as molduras apresentassem linhas que remetessem aos protetores anterior.

Os faróis de neblina foram modificados, assim como a grade inferior. Nas portas, apenas frisos em preto e cromo se apresentavam, assim como os retrovisores passaram a ser na cor do carro.

Na versão Exclusive, que tinha motor V6, o Xantia ganhava molduras laterais na cor do carro. As rodas de liga leve eram novas nas duas versões que existiam a partir de então (GLX e Exclusive).

Os faróis duplos foram suavizados junto à grade, que ficou maior e integrada ao capô, mantendo ainda o duplo chevron da Citroën. As lanternas mantiveram o mesmo visual de antes, mas a tampa ganhara uma luz de neblina bem vistosa.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

A versão Exclusive V6 ganhara acabamento imitando madeira, assim como bancos em couro natural com abas mais envolventes e assentos dianteiros totalmente elétricos, incluindo até ajustes de apoio de cabeça.

O volante também mudou de estilo, incluindo novos comandos de áudio, que passou a dispor de entrada auxiliar, mas com toca-fitas.

No ano 2000, recebeu CD player e disqueteira (Exclusive). Bem equipado, nessa altura o Xantia tinha airbag duplo, airbags laterais e freios ABS.

Xantia – Mecânica

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

O Xantia chegou ao Brasil com duas versões de um motor 2.0, sendo uma com cabeçote 8V e outra 16V. A primeira vinha apenas com transmissão automática de quatro marchas.

Esse propulsor 2.0 8V tinha injeção eletrônica multiponto e entregava 123 cavalos e 17,9 kgfm. Ele dispunha de comando único no cabeçote, podendo assim levar o Xantia de 0 a 100 km/h em 13,3 segundos.

Além dele, o modelo trazia ainda o 2.0 16V com 155 cavalos e 18,6 kgfm, que permitia ao hatch alcançar os 100 km/h em 9,6 segundos. Esse motor foi oferecido na versão Activa também.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Com o tempo e a renovação visual, a Citroën eliminou essas duas opções, trazendo um 2.0 16V de 132 cavalos e 18,3 kgfm, que foi equipada com câmbio manual de cinco marchas ou automático com quatro.

Assim, o Xantia 2.0 16V renovado ia de 0 a 100 km/h em 11 segundos em média. Junto com ele, o V6 3.0 aparecia em 1997 com 24V e entregando 193 cavalos e 27,2 kgfm. Ele ia até 100 km/h em 8,2 segundos com final de 230 km/h.

Foi oferecido apenas com transmissão automática, tendo ainda uma opção Activa. Na Europa, o Xantia teve versões a gasolina e diesel, assim como com suspensão hidropneumática convencional ou eletrônica Hydractive.

Hydractive e anti-rolagem ativa

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

O Xantia nasceu com o projeto de usar suspensão hidropneumática e esta era composta por um conjunto de esferas pressurizadas com hidrogênio e um fluído hidráulico, que permitia um nivelamento e ajuste da suspensão ou enrijece-la.

Assim como o XM, o hatch adotou a Hydractive, que adicionava mais esferas para ampliar a eficiência. Controlada por microprocessadores, a gestão eletrônica dessa suspensão hidropneumática convertia o Xantia em um tapete voador.

A Hydractive impedia o mergulho da frente em frenagem, assim como filtrava incrivelmente as oscilações do pavimento e permitia ao carro acelerar sem levantar a frente ou baixar a traseira.

Isso tudo, mais os ajustes tradicionais desse tipo de suspensão da Citroën, que já vinha de longa data. Por exemplo, o nivelador de altura continuava entre os bancos.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Empurrando a pequena alavanca para frente, a suspensão ficava em seu nível mais baixo, quase rente ao chão. Na outra extremidade, fica bem elevada, como num SUV, por exemplo. Duas marcações indicavam posição neutra e temporária.

Nesta última, que ficava mais próxima do nível alto, a suspensão ficava elevada temporariamente até que o condutor pudesse passar por uma via de pavimento ruim ou terra, voltando à posição anterior automaticamente.

Tal como no ZX, as rodas traseiras do Xantia se alinhavam com as dianteiras em pequenos graus, suficientes para ajudar o hatch a manter uma boa trajetória em curvas. Ela permita ainda a troca de pneu sem o uso de macaco.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën

Na tecnologia Activa, a coisa ia um pouco mais além. Ela trazia cilindros hidráulicos que funcionavam como batentes e integrados ao computador da Hydractive, impedindo a rolagem da carroceria em curvas.

O efeito era nulo, variando de -0,1° a 1° de diferença, permitindo assim fazer curvas sem a tendência natural de inclinação do carro, o que causou muita surpresa (e algum tempo de adaptação) nos proprietários do Xantia Activa.

© Noticias Automotivas. A notícia Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën é um conteúdo original do site Notícias Automotivas.

Xantia deu continuidade à ousadia tecnológica da Citroën publicado primeiro em https://www.noticiasautomotivas.com.br



Nenhum comentário:

Postar um comentário