
Os efeitos da crise provocada pela pandemia do coronavírus estão sendo sentidos no mundo todo. Isso afetou diretamente a indústria automobilística, que já estava cambaleando por causa da crise econômica em vários países.
Uma declaração da OICA (Organização Internacional dos Construtores de Automóveis), que agrupa associações do ramo em 37 países e que também organiza os principais salões de automóveis, mostra o tamanho desse problema. Segundo o seu presidente, Fu Binfeng, essa poderá ser a pior crise da história da indústria automotiva.
Quem concorda com o dirigente é o presidente de outra associação, a Acea (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis). Segundo Eric-Mark Huitema, a crise deve afetar diretamente cerca de 14 milhões de trabalhadores no Velho Continente.
Tudo isso ocorre depois de um ano que já havia sido desafiador. Em 2019, houve uma queda de 5% na produção de veículos ao redor do mundo, algo bem diferente dos 10 anos anteriores, onde o setor sempre havia registrado algum crescimento. O que agrava a situação é que o primeiro país a parar a produção de veículos foi justamente um dos principais fornecedores de peças automotivas no mundo, a China, onde a queda nas vendas chegou a 92% no começo do ano.
A OICA reconhece que tudo isso é inevitável e até mesmo necessário, especialmente os esforços de muitas montadoras em contribuir com a produção de respiradores e outros equipamentos médicos.
Como o Brasil está sendo afetado
Diferente da maioria dos países, a indústria automotiva no Brasil comemorou seus resultados em 2019. Depois de vários anos bem difíceis, no ano passado foram emplacados quase 2,8 milhões de unidades, o que representou um crescimento de 8,65%.
Mas é claro que a crise atual também chegou por aqui. Segundo a Fenabrave, em março houve uma queda de 21,9% em comparação com o mesmo mês do ano passado. No total, foram 155.810 unidades vendidas, entre automóveis e comerciais leves. Isso também representa uma forte queda em relação a fevereiro de 2020, quando haviam sido emplacados 192.627 unidades.
Mas a crise vai além dos números frios das vendas, afetando o que é mais importante: as pessoas que trabalham nesse ramo. Segundo a própria Fenabrave, o setor é responsável por 4,5% do PIB, gerando mais de 315 mil empregos diretos. Com a necessária quarentena, tudo está parado, incluindo as mais de 7,3 mil concessionárias espalhadas pelo país.
Uma crise que pode mudar o rumo da indústria
Na década de 1970, o mundo passou por uma situação parecida, a crise do petróleo. Mesmo com todos os problemas causados por essa forte recessão, a indústria nacional viu uma luz no fim do túnel ao apostar na tecnologia do etanol como um substituto ao derivado do petróleo. Na verdade, fomos obrigados a ir nessa direção.
Isso mostra que uma crise pode apontar novos caminhos e mudar o rumo de uma indústria, algo até necessário para um ramo que sempre está driblando problemas econômicos. Mas quais seriam esses novos caminhos?
O primeiro poderia ser o lançamento de mais modelos híbridos e elétricos, que hoje ainda são raros e limitados aos poucos que podem pagar no mínimo R$ 125 mil (quando falamos de carros novos).
Outra mudança poderia ser na maneira como as vendas de carros são feitas atualmente. Ainda dependemos quase que totalmente do método tradicional das concessionárias, mas por que não apostar nas vendas por meios digitais? Essa tem sido a tática (muito bem-sucedida, por sinal) da Tesla, que já bateu a marca de 1 milhão de unidades produzidas e deve continuar nesse ritmo com o sucesso do peculiar Cybertruck.
Finalmente, outra novidade que o ramo poderia implementar de forma permanente é a maneira de apresentar seus produtos. Isso já tem acontecido no Brasil, com modelos importantes como o novo Chevrolet Tracker sendo apresentados apenas pela internet.
A verdade é que a crise atual ainda deve durar vários meses, e seus efeitos posteriores mais tempo ainda. O mais importante no momento não é o lado econômico, mas sim proteger milhões de vidas. Mesmo assim, não precisamos apenas lamentar os efeitos da crise, mas usá-la para enxergar uma nova maneira de sobreviver. Quem sabe tudo isso não indique um novo e permanente caminho para a indústria automotiva.
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