Emily Nery e Guilherme Blanco Muniz (Valor, 26/04/19) informam: a Uber confirmou pretender abrir seu capital, ou seja, se tornará uma empresa com ações na Bolsa de Nova York. A empresa deve divulgar a quanto suas ações devem chegar no mercado, porque as vendas estão previstas para este mês de maio de 2019. Com isso, o aplicativo pretende se tornar uma das maiores empresas do setor de tecnologia com capital aberto.
As 368 páginas da documentação apresentadas pela empresa à Comissão de Títulos e Câmbio dos EUA, em dezembro de 2018, só se tornaram públicas agora. Elas revelam vários detalhes sobre a companhia até então considerados misteriosos . Entre todas as informações divulgadas no relatório, duas chamam mais atenção.
A primeira delas é que o Brasil é o segundo melhor mercado para a empresa atualmente. O faturamento por aqui no ano passado atingiu US$ 959 milhões (R$ 3,7 bilhões), o que representa um aumento de 115% em relação a 2017. A Uber soma 22 milhões de usuários no Brasil e 600 mil motoristas trabalhando em mais de cem cidades.
A segunda informação curiosa é, caso a empresa atinja suas próprias expectativas com sua entrada no mercado, ela encostará na General Motors quando o assunto é valor de empresa. Com a abertura do capital, a empresa pretende vender cerca de US$ 10 bilhões (R$ 38,8 bilhões) em ações, o que geraria uma valorização de US$ 90 bilhões a US$ 100 bilhões (R$ 349 bilhões a R$ 388 bilhões). A GM soma atualmente US$ 15,7 bilhões (R$ 60,9 bilhões). Comparando com outras empresas de tecnologia, ela ficaria atrás apenas da chinesa Alibaba e do Facebook.
Ao todo, o aplicativo atua em 700 cidades pelo mundo e realiza um total de 14 milhões de viagens por ano. Segundo os documentos, a empresa paga cerca de US$ 78 bilhões de dólares (R$ 302 bilhões) aos seus motoristas.
O aplicativo revela ter 91 milhões de usuários ativos (contando o serviço de transporte e de delivery de comida, o Uber Eats) e teve receita de US$ 11,3 bilhões ano passado, o equivalente a quase R$ 44 bilhões.
Mas, nem tudo são flores e seu crescimento recente tem sido em ritmo lento. Apesar de ter crescido cerca de 40%, a companhia afirma que perdeu 3 bilhões de dólares (quase R$ 11 bilhões) só em 2018.
Entretanto, problemas regulatórios, disputas governamentais e com taxistas, preços mais altos que anteriormente e polêmicas com seus passageiros levaram a Uber a admitir no documento que talvez nunca seja lucrativa. “Nós esperamos que nossas despesas operacionais aumentem significativamente em um futuro previsível e nós podemos não alcançar o lucro”.
Além disso, a empresa afirma estar em um “mercado altamente competitivo”. Cita: concorrentes forte e barreiras de entrada dificultam o processo de crescimento da Uber. Para tentar driblar a concorrência, a empresa oferece incentivo aos motoristas e promoções aos consumidores, o que de certa forma diminui sua lucratividade. Vale lembrar que a empresa teve um prejuízo de US$ 6,8 bilhões (R$ 26,3 bilhões) entre 2014 e 2018.
A mudança para capital aberto já é esperada desde dezembro de 2018, mas o anúncio só veio duas semanas depois de a principal e mais nova concorrente da Uber nos EUA, a Lyft, ter aberto o capital.
A alavancagem financeira através da emissão de ações é chave para o entendimento da lógica de crescimento dessas startups.
Economia de Compartilhamento: Abertura de Capital da Uber publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com

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