Fabio Graner (Valor, 30/06/2020) informa: a Taxa de Longo Prazo (TLP) está cara para operações de curto prazo, mas não para operações acima de cinco anos, na visão do BNDES. Nesse quadro, o entendimento do banco é ser preciso buscar alternativas de captação de recursos a prazos mais curtos e taxas menores, como o CDI (Selic), para viabilizar financiamentos mais baratos.
“A gente tem buscado diversificar nosso custo de funding para repassar para as linhas de prazo mais curtos”, explicou a diretora de Finanças do BNDES, Bianca Nasser, acrescentando que hoje esse custo é praticamente todo referenciado na TLP. “A nossa estratégia é buscar formas mais eficientes para determinados prazos. A gente pode buscar soluções de mercado onde o banco pode estar emprestando um custo de funding não sendo a TLP”, disse.
Um dos instrumentos possíveis, a ser examinado pelo Conselho do banco no próximo mês, é fazer uma “marcação” de parte do patrimônio líquido do banco, vinculando-o a operações de crédito mais curtas. Isso permitiria um custo menor, mais próxima do CDI. “Isto nos permitiria fazer marcações diferenciadas em relação à TLP”, afirmou. Outros instrumentos que ela menciona é a Letra Financeira, que pode ser emitida com indexação ao CDI.
Essa diversificação de funding também é buscada para o longo prazo, por meio de operações com organismos internacionais. Mas salientou que a TLP para operações longas é bastante competitiva. E a besteira da troca de TJLP por TLP, realizada pelos golpistas, aumenta o endividamento externo repassado pelo BNDES!
Apesar desse movimento para baratear funding, a visão do BNDES é hoje haver mais problemas relacionados ao risco do que ao custo do crédito. Por isso que, além do novo FGI, que está perto de funcionar, o banco também está trabalhando um novo produto: a fiança, que deve ajudar a deslanchar projetos de infraestrutura. De acordo com uma fonte, a fiança será um produto de prateleira que poderá ser acessado também por outros setores, como a indústria.
A discussão sobre o custo da TLP, que neste mês teve mais uma elevação e que, curiosamente, teve sua parte prefixada (2,26% ao ano) praticamente igualada com a taxa Selic, tem crescido, especialmente diante das preocupações sobre a retomada da economia.
O economista Fábio Giambiagi, técnico do banco, foi um defensor da TLP na sua origem. Em recente artigo defendeu uma mudança na sua fórmula de cálculo, para ela refletir também o fato de que o Tesouro tem encurtado suas emissões para se financiar a um custo mais baixo.
O país poderá viver uma situação de subsídio ao contrário, prejudicando a retomada dos investimentos. Giambiagi sugeriu a TLP ser definida não mais com base na NTN-B de cinco anos, e sim no prazo médio de maturação dos títulos emitidos pelo Tesouro, com no mínimo dois anos de prazo.
A proposta renovou o debate sobre a conveniência do atual desenho da TLP. Na equipe econômica e no banco, porém, não se percebe disposição de revê-lo. Ao contrário, o desenho do mecanismo continua elogiado e visto como uma boa solução para o financiamento de longo prazo, sem colocar em risco as contas públicas e ao mesmo tempo barato quando se pensam acima de cinco anos.
“Sim, a TLP está ficando cara, mas o pressuposto de mudar é que o BNDES seria o único meio de se financiar a longo prazo. A própria TLP ampliou o mercado de capitais para prazos mais longos. Estamos em crise fiscal, preocupados com a dinâmica da dívida, aí vamos piorar a taxa implícita da dívida? Aumentaremos o subsídio?”, aponta uma fonte da equipe econômica. “O BNDES tem como alterar o custo de algumas linhas mais curtas sem precisar mexer na TLP”, disse outra fonte.
As fontes do governo se envergonham de se revelar…
Funding para o BNDES: Revisão de Erros da TLP em Prazos e Custos publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com

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