segunda-feira, 13 de julho de 2020

Estatística Duvidosa sobre Milionários

Número de milionários cresceu no mundo em 2019; consultoria prevê queda de 6% da riqueza no primeiro trimestre deste ano
Paula Soprana (FSP, 09/07/2020) informa: o número de milionários no Brasil cresceu 7% e chegou a 199 mil em 2019. A informação é do World-Wealth-Report-2020 de 2020, publicado pelo instituto de pesquisa Capgemini.

Em números brutos, o Brasil é 18º país com o maior contigente de milionários, parte em razão do seu tamanho, porque fica na frente de países ricos como Suécia e da Áustria.

Estados Unidos, Japão, Alemanha e China, os quatro primeiros colocados no ranking, concentram 61,6% da chamada população HWNI (sigla para ​indivíduo cm alto patrimônio líquido, uma pessoa com investimentos superiores a US$ 1 milhão). Os EUA têm quase 6 milhões de milionários.

[Fernando Nogueira da Costa: o problema dessa estatística é não revelar sua metodologia e a fonte de dados para análise de sua veracidade. Por exemplo, inclui investimentos imobiliários? A própria residência está incluída com valor de mercado ou valor histórico?]

De 2018 a 2019, o total dessa população subiu 8,8%, com aumento em todas as regiões do mundo. São 19,6 milhões de pessoas, contra 18 milhões em 2018. A riqueza cresceu 8,6% e representa US$ 74 trilhões. Na América Latina, a alta foi de 2,7%.

O maior crescimento foi registrado na América do Norte (10,9%), seguida do Oriente Médio (9,3%).

Foi a primeira vez desde 2012 que a região Ásia-Pacífico não liderou o avanço da riqueza. A América do Norte registrou alta de 11%, enquanto a América Latina, 4,4%.

“O aumento das tensões comerciais e a agitação geopolítica exigiram confiança nos negócios, nas decisões de investimento e no comércio global”, afirmou o relatório.

Analistas da Capgemini mencionam também uma “mudança notável nas acomodações de política monetária em várias regiões —e otimismo de desempenho do setor de tecnologia”, o que teria acalmado tensões no mercado financeiro.

O relatório do ano passado, portanto relativo a 2018, apresentou a primeira baixa de milionários após sete anos consecutivos de alta. A queda foi consequência da guerra comercial entre China e Estados Unidos, que derrubou o desempenho econômico do país asiático, e no brexit, com as incertezas no mercado europeu.

O impacto da Covid-19 será registrado no balanço do próximo ano. No primeiro trimestre de 2020, a pandemia de coronavírus contraiu US$ 18 trilhões de mercados globalmente. A estimativa do instituto é de redução de 6% a 8% na riqueza global até o fim de abril de 2020.

POBREZA

De acordo com o Banco Mundial, as estimativas mais recentes sobre pobreza, de 2015, mostram que 10% da população mundial —ou 734 milhões de pessoas— vivem com menos de US$ 1,90 por dia. Em 1990, eram 36% da população, o equivalente a 1,9 bilhão de pessoas.

Devido à Covid-19, a instituição estima que até 60 milhões de pessoas entrem em extrema pobreza (menos de US$ 1,90 ao dia) este ano. A taxa global de pobreza extrema pode aumentar de 0,3 a 0,7 ponto percentual, para cerca de 9% em 2020.

Dado recente da ONU aponta para 500 milhões de pessoas em situação de pobreza no mundo.

No ano anterior, Arthur Cagliari (FSP,pós crescimento consecutivo por sete anos, tanto a população de milionários no mundo quanto sua riqueza recuaram em 2018, indicou o relatório World Wealth Report 2019, publicado pela consultoria Capgemini.

As justificativas principais da retração estariam, segundo o documento, na guerra comercial, que derrubou o desempenho da China, e no brexit, com as incertezas no mercado europeu.

No recorte pela população, o número de pessoas no mundo que tinham investimentos acima de US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões) recuou de 18,1 milhões em 2017 para 18 milhões no ano passado.

Em relação às regiões, o maior recuo ocorreu na Ásia-Pacífico, com queda de 1,7%. Na outra ponta, o Oriente Médio apresentou o maior avanço, de 5,8%. Já a América Latina teve crescimento de 1,9%.

Sobre a riqueza dos milionários, o recuo global foi de US$ 70,2 trilhões (R$ 266 trilhões) em 2017 para US$ 68,1 trilhões (R$ 258 trilhões) em 2018 —perda maior que o PIB do Brasil, de US$ 1,8 trilhão.

A única região a apresentar crescimento nesse recorte foi o Oriente Médio, com alta de 4,3%. O pior desempenho veio da África —queda de 7,1%. A América Latina teve uma retração de 3,6%.

No caso do Brasil, embora o país tenha apresentado um avanço de 8% nos números de seus milionários (de 171 mil para 186 mil), a riqueza total recuou 3% no período.

Entre os desempenhos ruins, o documento destaca a Europa, que foi responsável por 24% da queda de US$ 2 trilhões da riqueza.

Uma das explicações estaria na performance econômica do Reino Unido, que, após o anúncio de sua saída da União Europeia, passou a viver cenário de incertezas. A economia do país teve crescimento de 1% em 2018 —seu pior desempenho desde 2012.

Os britânicos decidiram sair do bloco europeu em um plebiscito convocado em junho de 2016 pelo primeiro-ministro à época, David Cameron. “A paralisia política desencadeada pelo brexit agitou o mercado de forma incerta, com setores-chave (como os setores de manufatura e construção) tendo um declínio”, diz análise do documento.

Mas não foi só o Reino Unido o responsável pela queda na Europa, a Alemanha também apresentou comportamento negativo nos dois recortes, população e riqueza.  “As exportações alemãs caíram e o setor automobilístico lutava para atender a novos e mais rigorosos padrões de emissão”, diz o texto.

Outra região que ajudou a piorar o desempenho foi a Ásia-Pacífico, com forte influência da China. De acordo com o relatório, o gigante chinês perdeu US$ 2,5 trilhões em capitalização de mercado com as incertezas da guerra comercial com os Estados Unidos.

A tensão entre as duas maiores potências globais teve início em março de 2018, quando os EUA anunciaram sobretaxas em produtos chineses, afirmando que o país asiático violava regras de propriedade intelectual.

Se em uma parte do planeta o dinheiro desapareceu, na outra, ele surgiu. Foi o caso do Oriente Médio, cujo desempenho destoou dos números globais. A explicação estaria na redução do preço do petróleo associado a reformas.

“O preço do petróleo, combinado com significativas reformas estruturais e fiscais para combater o impacto do valor do óleo, estabilizou a economia da região.”

O país que mais tem milionários no mundo é os Estados Unidos, com 5,2 milhões, seguido pelo Japão, com 3,1 milhões, e Alemanha, com 1,36 milhão. Os três países juntos têm 61% da população de ricos do mundo, diz o relatório.


Milionários pelo mundo em 2018

18 MILHÕES foi o total de milionários no mundo

186 MIL foi o número de milionários no Brasil

8%  foi o avanço no número de milionários brasileiros

-3% foi a queda do valor de seus patrimônios

Estatística Duvidosa sobre Milionários publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com



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