O termo individualismo metodológico (doravante, MI) foi uma expressão do século XIX antropocêntrico. Desempenhou um papel importante na história das ideias e ideologias. É um tipo de metafísica materialista e epistemologia nominalista. Tinha uma influência predominante na pesquisa em Ciências Sociais a partir de sua consolidação durante a Era iluminista até hoje.
MI deve suas origens a Thomas Hobbes (1651). Ele o modelou de acordo com o método geométrico e da mecânica com um pressuposto materialista. Encarou a sociedade como sendo a organização social resultante das interações de indivíduos mecanicamente determinados e com drives agressivos. Ele pode ser creditado como criador por primeiro destacar a ideia-chave do individualismo, seguido por outros, especialmente aqueles em busca de explicar o contrato social estabelecido entre indivíduos como a explicação da sociedade.
Durante o Renascimento, os indivíduos estavam conscientes de si mesmos como um ser apartado específico, diferente do comportamento da coletividade. Em contraste, para Auguste Comte (1896), uma sociedade não é mais decomponível em indivíduos assim como a decomposição de uma superfície está em linhas, ou uma linha está em pontos.
Contudo, para John Stuart Mill (1872), o expoente sistemático mais antigo do MI, as leis dos fenômenos sociais podem ser apenas as leis (ações e paixões) da natureza humana individual.
O MI também pode ser encontrado no mundo antinaturalista de Wilhelm Dilthey [1833-1911]. Segundo Dilthey (1883), cada expressão humana representa algo que é comum a muitos e, portanto, parte do gesto objetivo ou de alguma forma de polidez. Por exemplo, toda obra de arte e escritura histórica só é compreensível porque a pessoa está expressando a si mesmo e a pessoa observadora a compreende se ambas estão conectadas por algo em comum. O indivíduo sempre experimenta, pensa, age e também compreende nesta esfera comum.
Para Max Weber (1947), o significado subjetivo atribuído pelos atores humanos às suas ações, em suas orientações mútuas, está dentro contexto social-histórico específico, onde o indivíduo é “o limite superior e o único transportador de conduta significativa”. Weber tentou colocar-se delicadamente entre Mill e Dilthey e enfatizou tanto a generalização causal quanto a compreensão humana autônoma chamada verstehen. Ele acreditava o MI ser o caminho mais seguro na pesquisa, exorcizando “o espectro das concepções coletivas que perdura entre nós”.
Este debate surgiu em muitas formas distintas entre os praticantes das diferentes disciplinas das Ciências Humanas, por exemplo, os debates entre filósofos de história como “sociologismo” e “psicologismo” e, acima de tudo, na célebre controvérsia entre Emile Durkheim (1938) e Gabriel Tarde (1969). Durkheim acreditava no determinismo social dos indivíduos, onde o indivíduo é reduzido a um corpo e todos os fenômenos supraorganicos são entendidos como de origem social, em contraste com os postulados como “dogmatismo psicológico”.
Hoje, Yuval Noah Harari distingue animais (inclusive os humanos) sencientes, capazes de perceber pelos sentidos e receber impressões de sofrimento, e as instituições como as Nações, os bancos e as empresas, criações sem sofrimento.
Além disso, inúmeras pessoas, juntas, dão origem às “coisas” da Ciência Social. A questão reaparece, constantemente, por exemplo, em reação à teorização macroscópica de Talcott Parsons (1951) e seus seguidores e no excepcionalmente enfurecido e animado debate provocado pela ampla polêmica metodológica de Friedrich Hayek (1952) e Karl Popper (1966).
No capítulo 5 da Parte II do livro de autoria de Vijay Kumar Yadavendu, “Shifting Paradigms in Public Health: From Holism to Individualism”, ele tenta distinguir o que é considerado o princípio central de MI de várias teses diferentes. Depois, discute como a economia neoclássica definiu sua tarefa de acordo com o MI.
A expressão “individualismo metodológico” foi cunhada por Joseph A. Schumpeter (1942). Ele afirmou ser uma estratégia exclusivamente científica, segundo a qual a descrição de certos processos econômicos um melhor começo com as ações de indivíduos. Influenciou Hayek (1948), Popper (1966) e muitos outros. Sua alegação era os fenômenos sociais deverem ser vistos como resultantes da ação humana, e “nunca devemos ser satisfeitos por uma explicação em termos de os chamados coletivos” (Popper, 1966).
MI é sobre a explicação de todos os fenômenos sociais, mostrando as propriedades dos indivíduos capazes de nos permitir a compreensão desses fenômenos. As realidades sociais, em princípio, são reduzidas para as podermos entender somente interpretando as intenções e planos de outras pessoas. Os elementos pelos quais nós podemos reproduzi-los são sempre categorias familiares de nossa própria.
A referência aqui a “nossa própria mente” deve ser levada a sério. Quando falamos de espírito, o que queremos dizer é certos fenômenos poderem ser interpretados com sucesso na analogia de nossa própria mente com o uso de categorias familiares de nosso próprio pensamento. Obtemos assim uma explicação de trabalho satisfatória sobre o que observamos.
Hayek ainda escreve sobre o escopo e as limitações desta abordagem. É a única base onde podemos entender o que chamamos de intenções de outras pessoas ou o significado de suas ações. Certamente, é a única base de todo o nosso conhecimento histórico. À medida que passamos de homens da nossa própria espécie para diferentes tipos de seres, encontrar o que podemos entender se torna cada vez menor. E não podemos excluir a possibilidade de um dia podermos encontrar seres, embora talvez fisicamente parecidos com homens, comportar-se-ão de uma maneira inteiramente ininteligível para nós. Com relação a eles, deveríamos de fato ser reduzido ao estudo “objetivo” desejado pelos behavioristas para adotarmos em relação os homens em geral.
Similarmente, de acordo com Popper: “todos os fenômenos sociais, e especialmente o de todas as instituições sociais, devem sempre serem entendidos como resultantes das decisões, ações, atitudes, etc., de indivíduos humanos, e nunca devemos estar satisfeitos por uma explicação em termos dos chamados “coletivos”. De acordo com essa visão do prócer da Escola Austríaca, a sociedade pode ser considerada o resultado de indivíduos fazer escolhas em resposta às ações dos outros e agir de acordo com essas escolhas.
Ideias e Ideologias do Individualismo Metodológico em Sociologia do Conhecimento e Economia Neoliberal publicado primeiro em https://fernandonogueiracosta.wordpress.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário